Brincando com a sucessão…
“Jogada, como parece, ou não, qual será o resultado desta anunciada escolha?”
Flávio é mesmo o candidato de Jair à presidência da República em 2026?
O anúncio feito pelo próprio Flávio de que foi escolhido pelo pai para representar a família e o grupo político nas eleições presidenciais soou estranho e, politicamente sem sentido. A chamada direita tem inúmeros nomes em campanha já a longo tempo, e a escolha do “chefe” recai, estranhamente, sobre alguém de pouco apelo de voto e que tem pouca expressão dentro do próprio grupo.
Para muitos observadores políticos, a “indicação” de Flávio é, na verdade, uma jogada política que visa alçá-lo à condição de líder da campanha da anistia. Para dar eco ao grito pela anistia, estão investindo o 01 numa condição de líder de um grupo. Nenhum outro nome da direita apontado agora por Bolsonaro- Zema, Caiado, Ratinho Júnior, Tarcísio ou outro qualquer- assumiria a vanguarda da campanha pela anistia com o entusiasmo demonstrado por Flávio. Seria correr risco político, pois as pesquisas indicam que a maioria da população é contra a anistia, pelo menos por enquanto.
Outro detalhe que alimenta as dúvidas sobre a seriedade da indicação é que, mesmo dentro da família, Bolsonaro não tornou pública a sua escolha. Carlos, o 02, foi pego de surpresa com a notícia. Jogada, como parece, ou não, qual será o resultado desta anunciada escolha? Flávio já anunciou que vai intensificar o esforço pela anistia, agora como “candidato do bolsonarismo” à presidência. Tem pouco, muito pouco tempo para isto. Certamente, não conseguirá que o tema entre na pauta de discussão do Congresso antes do recesso. Há temas complexos na pauta dos congressistas e outros de maior interesse, como as emendas parlamentares do orçamento do ano que vem, que certamente vão ocupar os parlamentares.
Anistia, pela sua complexidade, é tema para o ano que vem. E em fevereiro, quando o Congresso retomar seus trabalhos, talvez, ou certamente já não desperte interesse da maioria do Congresso. Flávio Bolsonaro sabe disto. O anúncio que fez de que foi ungido pelo pai para disputar a presidência não entusiasmou. Aliás, entusiasmou sim, mas a oposição, que enxerga nele um candidato fraco, que terá dificuldades até dentro da direita onde pelo menos dois outros candidatos deverão ser lançados. Tão difícil quanto sua candidatura vingar, será sua tarefa de mobilizar políticos e a sociedade para aprovar a anistia.
*Paulo César de Oliveira é jornalista e diretor-geral da revista Viver Brasil
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