Morre Jards Macalé aos 82 anos no Rio de Janeiro

Músico atuou por mais de seis décadas em diversas áreas artísticas


Por Tribuna de Minas

17/11/2025 às 17h59- Atualizada 17/11/2025 às 18h01

Jards macale 2 Reproducao instagram jards macale
Jards Macalé em foto de divulgação; família confirmou a morte do compositor nas redes sociais (Foto: reprodução Instagram Jards Macalé)

O cantor e compositor Jards Macalé morreu nesta segunda-feira (17), aos 82 anos. A família confirmou a morte por meio de nota publicada no Instagram oficial do artista. Macalé estava internado em um hospital na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, onde tratava uma broncopneumonia. Ele sofreu uma parada cardíaca.

Na nota divulgada nas redes sociais, a família informou que Macalé “nos deixou hoje” e relatou que o músico chegou a acordar de uma cirurgia cantando “Meu nome é Gal”, mantendo o humor e a energia característicos. “Cante, cante, cante. É assim que sempre lembraremos do nosso mestre, professor e farol de liberdade”, diz o comunicado. A publicação agradece ainda o carinho do público e afirma que detalhes sobre o funeral serão divulgados em breve. O texto encerra com palavras do próprio artista: “Nessa soma de todas as coisas, o que sobra é a arte. Eu não quero mais ser moderno, quero ser eterno.”

Jards Anet da Silva nasceu em 3 de março de 1943, na Tijuca, Zona Norte do Rio. Cresceu em um ambiente familiar marcado pela música: a mãe tocava piano; o pai, acordeom; e vizinhos ilustres, como Vicente Celestino e Gilda de Abreu, faziam parte de sua paisagem sonora na infância.

Ao longo de mais de seis décadas de carreira, Macalé atuou em diversas áreas artísticas. Além da música, trabalhou em cinema, televisão, teatro e artes plásticas. No audiovisual, participou como ator e criador de trilhas para filmes de Nelson Pereira dos Santos. Também compôs para exposições de Helio Oiticica, Xico Chaves e Lygia Clark.

Sua trajetória inclui parcerias com nomes como Waly Salomão, Vinicius de Moraes e José Carlos Capinam. Macalé dirigiu Gal Costa e Maria Bethânia e produziu “Transa” (1972), álbum fundamental da fase de Caetano Veloso no exílio em Londres.

Considerado uma figura singular na música brasileira, Macalé atravessou gerações mantendo postura independente e criativa. Seu último trabalho de grande circulação celebrava os 50 anos do disco de estreia, reforçando a permanência de sua obra.

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