Fiocruz e mais de 40 instituições repudiam operação policial mais letal do Rio

Documento coletivo aponta falhas nas políticas de segurança e cobra ações planejadas e baseadas em direitos humanos


Por Agência Brasil

30/10/2025 às 06h00

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), junto a mais de 40 instituições públicas, entidades civis e movimentos sociais, divulgou nesta quarta-feira (29) um manifesto em repúdio à operação policial que resultou no maior número de mortes já registrado em uma ação de segurança no Rio de Janeiro. O grupo alerta para o agravamento da crise social e humanitária que atinge o estado.

Intitulado “Manifesto por uma Segurança Pública Cidadã para o Rio de Janeiro”, o documento é assinado por universidades, sindicatos, coletivos de favelas e organizações de direitos humanos. No texto, os signatários afirmam que a ação conjunta das polícias “evidenciou a insustentabilidade das políticas estaduais de segurança” e denunciam a chamada “necropolítica” — expressão usada para descrever a lógica do extermínio como política pública.

“Não se trata de um conflito armado não intencional, mas de um fenômeno multidimensional que há muito adoece nossa cidade, cancela o sonho de estudantes, impede o tratamento de doentes e rouba a tranquilidade das famílias”, diz o manifesto.

O documento defende uma segurança pública baseada em planejamento, integração e resultados socialmente justos e de longo prazo, em vez da “rotina brutalizante que sobrecarrega comunidades já castigadas pelo crime e pela precarização”.

Entre as principais reivindicações apresentadas estão:

* preservação da vida e valorização dos direitos humanos;
* planejamento intersetorial com o governo federal;
* formação cidadã das forças de segurança;
* uso de inteligência baseada em evidências;
* transparência e controle social nas ações policiais.

As instituições também chamam atenção para a interrupção de serviços públicos durante operações, prática que, segundo o texto, viola direitos fundamentais e descumpre decisões do Supremo Tribunal Federal — como a ADPF das Favelas, que estabelece regras para reduzir a letalidade policial em territórios populares.

“Midiatizar a violência armada não é dar transparência às ações de segurança pública. É espetacularizar a vergonhosa falta de acesso a melhores condições de vida e a prática do extermínio como política”, afirmam os autores.

Entre os mais de 40 signatários estão o Conselho Deliberativo da Fiocruz, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes), a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), o Instituto Fogo Cruzado, as Redes da Maré e movimentos de mães de vítimas da violência e organizações comunitárias de Manguinhos e de outras favelas cariocas.

*Texto reescrito pelo ChatGPT e revisado por nossa equipe