Com muito freestyle, Batalha de Rima do Bandeirantes completa oito anos em Juiz de Fora

Realizada semanalmente na Praça Arthur Bernardes, iniciativa abre caminho para artistas locais no cenário nacional


Por Maria Luiza Guimarães*

09/09/2025 às 07h00- Atualizada 09/09/2025 às 07h48

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Robson, conhecido como Menino da Vibe, apresentou a Batalha da Aldeia em São Paulo, em 2025 (Foto: Divulgação)

O encontro já tem dia e hora certos, faça chuva ou sol. Toda sexta-feira, às 19h30, a Praça Arthur Bernardes, ponto de encontro do Bairro Bandeirantes, na Zona Nordeste de Juiz de Fora, é palco para as Batalhas de Rima do Bandera. Os duelos de freestyle, que resistiram até mesmo aos tempos difíceis da pandemia de Covid-19, acontecem desde 2017 e seguem firmes, reunindo talentos e fortalecendo a cultura de rua. Em 2025, o projeto completa oito anos de resistência, rima e representatividade.

Robson Souza, mais conhecido como Menino da Vibe, entrou na cena do freestyle em 2016. Em entrevista à Tribuna, ele relembra que tudo começou quando soube das batalhas conversando enquanto estava no barbeiro. Seu primeiro contato rimando foi na batalha do Shopping Jardim Norte, no mesmo ano. Naquela época, o cenário nacional já estava com nomes fortes, especialmente vindos de São Paulo, onde a Batalha da Aldeia, uma das maiores e mais influentes do Brasil, já revelava talentos e acumulava milhões de visualizações no YouTube, sendo referência para MCs de todo o país.

 

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MC Dentin / Foto: Arquivo pessoal

Com o tempo, as batalhas que aconteciam no Shopping Jardim Norte migraram para o Parque Halfeld, bem no Centro de Juiz de Fora. Foi a partir dessa mudança que Robson teve a ideia de levar as rimas para o bairro onde nasceu e cresceu, o Bandeirantes.

João Victor Vargas Ferreira, conhecido como Mc Dentin, fez amizade com Robson na Escola Municipal Fernão Dias Paes, no bairro, e a parceria foi peça chave para que o projeto fosse para frente. Dentin lembra que, no começo, o maior desafio foi fazer a batalha cair na boca do povo, conquistar a atenção do público, divulgar o trabalho e atrair MCs de fora da cidade.

Hoje, com quase uma década de muito freestyle, Dentin define a batalha do bairro como “a minha melhor psicóloga”. Para ele, não importa o problema ou a dificuldade, a batalha abre portas para quem se sente perdido, ajuda pessoas que têm dificuldade em se aproximar dos outros ou que sentem vergonha de falar diante de uma multidão. É, segundo ele, um espaço de liberdade e inclusão para a juventude.

Robson complementa ressaltando a importância de descentralizar os eventos de lazer em Juiz de Fora, já que a maior parte acontece na Zona Sul ou no Centro. Por isso, movimentar a cena na Zona Nordeste é, para ele, essencial.

Viver do sonho

Em 2022, Robson tomou a decisão de deixar o trabalho de carteira assinada para viver da rima. Ele conta que, no início, sua mãe teve medo da escolha, mas não deixou de apoiá-lo. A caminhada já vinha sendo construída desde 2019, quando participou da Batalha da Aldeia como MC, palco ao qual voltou este ano, desta vez como apresentador, papel que também exerce na Batalha do Bandeirantes. Desde então, se apresentou em batalhas no Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília, levando o talento do interior para algumas das maiores capitais do país.

A próxima parada será em Viçosa, a cerca de 160 quilômetros de Juiz de Fora, na próximas sexta-feira (14), durante as Seletivas Regionais de Minas. Robson será o apresentador do evento, que também contará com dois juiz-foranos na disputa, Novaes MC e Daniel Brasil, que buscam uma vaga para representar a cidade na etapa nacional.

Seletivas regionais

Em Minas, estão sendo realizadas 16 seletivas regionais desde agosto, que seguem até o início de outubro e percorrem diversas regiões do estado, todas válidas para o Nacional 2025. O campeão de cada seletiva garante vaga no Estadual de Minas Gerais e, quem vencer essa etapa, conquista a sonhada classificação para o Duelo Nacional, considerado o maior evento de batalhas do Brasil. Para Robson, essa é uma oportunidade única: “Além de mostrar o trabalho, é uma chance de crescer. Foi essa a batalha que o Orochi ganhou quando tinha 15 anos”, lembra.

O objetivo agora é que a Batalha do Bandeirantes continue crescendo, trazendo MCs cada vez mais reconhecidos para Juiz de Fora e, ao mesmo tempo, abrindo espaço para que os artistas locais mostrem suas rimas para novos públicos. Mais do que isso, eles sonham em levar a cultura de rua produzida na cidade para além dos limites do município.

*Estagiária sob supervisão da editora Gracielle Nocelli

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Robson, o Menino da Vibe, apresentando a batalha de rimas da Rocinha, no Rio de Janeiro. (Foto: Divulgação)