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Exposição gratuita que homenageia o luto é inaugurada no Bairro Bandeirantes

A Subversivos Galeria recebe nove obras da artista Juliana Eros, conhecida como Jurassol


Por Mafê Braga*

03/09/2025 às 07h00

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Exposição de Juliana Eros, conhecida como Jurassol, reúne obras feitas com diferentes técnicas (Foto: Subversivos Galeria / Divulgação)

“O Inverno de Deméter: uma homenagem ao luto” é a 10ª exposição da Subversivos Galeria, pertencente ao Espaço Cultural Coringa (ECCO), localizado no Bairro Bandeirantes, na Região Nordeste na cidade. Nove obras da artista juiz-forana Juliana Eros, conhecida como Jurassol, integram a mostra, que é gratuita e aberta ao público. Sob curadoria de Melissa Coope, os quadros seguem expostos até 3 de outubro e podem ser conferidos de segunda a sexta, das 9h às 12h e das 14h às 18h.

“Tomei conhecimento sobre o mito de Deméter durante a produção dos quadros e, por coincidência, percebi a similaridade daquela história com a maneira como eu estava acessando os meus sentimentos enquanto pensava e pintava os lutos que vivi. Tem algo de muito bonito na maneira como o luto de Deméter dá origem às estações do ano. Fiquei encantada e pensei em como é inevitável que depois do inverno surja a primavera, que depois da dor, a vida pode continuar linda e cheia de possibilidades de criar”, reflete.

De acordo com a pintora, a história de Deméter traz a percepção de que depois que se perde alguém muito especial, só é possível transformar a perda em algo novo se pudermos entrar em contato com a parte daquela pessoa que continua viva dentro de nós, por meio do carinho que temos por ela.

A artista define que cada uma de suas obras foi feita pela vontade de honrar as histórias dos amores que perdeu. Ela relata que a dor da perda e o luto se tornaram uma vontade de transformar sentimentos em imagens. “O luto se torna força vital, quando encaramos que a morte é inevitável, mas que ninguém morre completamente enquanto ainda conseguirmos criar, movidos pelo amor a esses laços. As memórias podem sempre virar novidades e fazer renascer uma sensação de que amar vale a pena”, afirma.

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Com exposições há cada dois meses, galeria recebe obras com temáticas cotidianas (Foto: Subversivos Galeria / Divulgação)

Quando questionada sobre o processo criativo, Jurassol menciona um misto entre o desafio e o prazer. Os quadros, alguns feitos em aquarela, outros por caneta esfereográfica e outros por tinta a óleo, tiveram diferentes tempos de duração: alguns foram finalizados em dias, e outros, em meses.

Quanto à temática de sua exposição, ela acredita que grande parte do tabu em volta do luto é o medo gigante que temos de perder, o pavor que dá em pensarmos que a morte é inevitável não pra quem amamos, mas também pra nós mesmos. A partir desse pensamento, ela acredita que a arte pode ser uma grande aliada, juntamente com a terapia, para expressar esse medo e, quem sabe, servir como conforto

“A importância dessa cidade (Juiz de Fora) e de expor aqui nesse momento é umbilical. O último luto que vivi foi o do meu avô Francisco, avô que me ensinou a pintar e que compartilhou comigo lindos momentos e muitas pipocas no Parque Halfeld. Nessa cidade, eu experimentei tudo que conheço sobre as tintas e pincéis. Aqui, o meus afetos mais profundos foram construídos. Aqui, vivi as minhas maiores perdas e renasci muitas vezes, e por isso é muito especial poder falar de amor na cidade que nasci e que tenho tanto carinho”, diz.

Uma galeria de conexões

Curadora da exposição, Melissa Coope menciona o trabalho da Subversivos Galeria nas exposições de impacto ao público. “É importante que tenhamos um fio condutor entre as obras. O luto é um desses ‘temas’ que vivenciamos, sem escapatória. Quando conheci Jurassol, vi em seu trabalho aspectos que encaixaram com a proposta da galeria. O que fiz a partir disso foi acompanhar as suas produções, cuidar da montagem da exposição e mediar o tema e as obras para o público”, relembra.

Melissa defende que as exposições de arte devem se conectar com o público e que essa deve ser a preocupação do curador. Ela discorre que, quando trazemos temáticas que fazem parte do nosso viver humano, abrimos uma potente brecha para que seja possível se conectar com as pessoas por meio de obras de arte.

“O luto é inevitável, doloroso e temido. Mas, aqui, temos nove obras belíssimas de Jurassol, que leva o nosso olhar para o amor que existe no luto”, diz. Ela ressalta a presença das mãos como símbolo recorrente nas obras da artista: “ora dançantes, ora em entrega, ora em prece, elas nos lembram de tudo o que tocamos, sentimos e criamos. São elas que enxugam lágrimas, amam e dizem adeus. São espelhos da alma”. 

*Estagiária sob supervisão da editora Gracielle Nocelli

Serviço

Exposição “O Inverno de Deméter: uma homenagem ao luto”

Data: até 3 de outubro

Horário: segunda a sexta, das 9h às 12h e das 14h às 18h

Local: Subversivos Galeria – ECCO (Rua Sabino Francisco de Barros, 969 – Loja 13, Bairro Bandeirantes)

Entrada gratuita

Obras à venda, curadoria por Melissa Coppe