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‘Não sabia que gritavam para escritores’


Por MARISA LOURES

12/04/2015 às 06h00- Atualizada 13/04/2015 às 13h29

A autora mineira Paula Pimenta lança neste domingo, em Belo Horizonte, o livro

A autora mineira Paula  Pimenta lança neste domingo, em Belo Horizonte, o livro “Cinderela pop” (Foto: Divulgação

“Gritaram como se eu fosse o One Direction.” Foi essa a frase que a escritora Paula Pimenta, 39 anos, usou para descrever o momento em que descobriu que era um fenômeno entre os adolescentes. “Lembro exatamente como aconteceu. Foi em 2010, no lançamento de ‘Fazendo meu filme 3’. Estava na Leitura, da Savassi. A livraria fechou, às 22h, e lá fora tinha uma fila interminável. Parecia que era um sonho. Depois, foi em 2012, no Rio, no primeiro lançamento de “Fazendo meu filme 4″. Cheguei à livraria, e me falaram que eu não podia entrar pela frente porque estava muito cheio. Disseram que só tinha ficado assim quando o Fernando Henrique Cardoso tinha feito uma palestra lá. Fiquei muito tímida, porque não sabia que gritavam para escritores”, diz a mineira, hoje acostumada com essa realidade. “Qualquer lugar que eu chegar vão gritar. É gostoso, é uma demonstração de carinho.”

Mesmo sendo uma autora de mais de meio milhão de exemplares vendidos, Paula diz que procura responder, um a um, aos seus leitores. “Quem quiser me seguir, meu site é www.paulapimenta.com.br. Lá tem tudo, meu Instagram e meu twitter. Ultimamente, ando super ocupada porque estou escrevendo, mas sou eu quem responde e não outra pessoa”, garante ela, que está em turnê de divulgação do livro “Cinderela pop” (Autêntica), mais um da série “Princesas”.

Neste domingo, a sessão de autógrafos acontece, às 16h, na Livraria Saraiva do Diamond Mall, em Belo Horizonte, sua cidade natal. “Essa é uma releitura contemporânea da história da Cinderela. Minha protagonista não perde o sapatinho de cristal, ela perde algo bem diferente, mas tem que ler para saber. Além disso, ela é uma DJ. O livro está superdescolado.”

A próxima tarefa da best-seller é colocar nas prateleiras, em junho, o “Minha vida fora de série” terceira temporada. Confira entrevista com a autora também no “Sala de leitura”, da Rádio CBN Juiz de Fora, nesta segunda-feira, às 14h30.

Tribuna – Como o seu sucesso aconteceu?

Paula Pimenta – Foi bem aos pouquinhos. Lancei um livro independente de poemas em 2001, o “Confissão”, que depois foi relançado a pedido dos leitores, fui convidada a ser colunista de um site de crônicas e sempre tentava escrever um romance, mas demorei muitos anos para ter concentração suficiente para fazer um do início ao fim. Consegui em 2005, com o “Fazendo meu filme”. Ele foi publicado em 2008, porque demorei a conseguir editora. Passei por várias antes da minha. Só então que o livro começou a se popularizar. No começo, demorou um ano para eu conseguir vender mil exemplares. Hoje, acho que vendo isso em um dia. Acho que no “Fazendo meu filme 4”, lançado em 2012, é que posso dizer que o livro estava muito popularizado, todo mundo me conhecia. Hoje, neste mundo adolescente, quem gosta de ler me conhece.

– Você disse que custou a conseguir uma editora. Como avalia esse mercado?

– As editoras e os leitores descobriram que os autores nacionais vendem livros e que os livros são bons. Quando eu comecei, me lembro de ver a conversa de duas meninas na internet, e uma delas perguntava para a outra sobre o meu livro: “Ah, mas é nacional?” Existia um certo preconceito, mas isso está caindo. As pessoas estão descobrindo que é bom, estão comprando mais livros, e as editoras estão percebendo que os autores nacionais merecem consideração. Elas estão mais abertas. Ainda bem. Elas querem saber se o livro é bom e não importa a nacionalidade. É uma realidade ainda difícil, porque, no Brasil, o escritor ganha 10% do valor de cada livro. Realmente, tem que vender muito, e tem os eventos também, que representam uma renda extra. É um ciclo, como sou escritora em tempo integral, posso me dedicar mais aos livros, e eles ficam melhor.

– Li em uma entrevista que você diz que nem sempre é preciso ter inspiração para escrever…

– Demorei para conseguir escrever um romance. Acho que todo mundo, quando está começando a escrever, acha que tem o momento da inspiração, mas não é assim. Hoje sei que a inspiração vem à medida que você está escrevendo.Tem que escrever um pouquinho todo dia para a inspiração chegar. Às vezes, fico muito tempo sem escrever e perco o pique. Isso não pode. Demorei para pegar esse ritmo. Fiz um curso de escrita criativa em Londres, na época em que estava escrevendo o “Fazendo meu filme”. Falo que não é nem o que aprendi no curso que me ajudou a escrever, mas a vontade que ele me deu. Eu chegava louca para colocar no papel, chegava superinspirada.

– Suas leitoras estão crescendo. Já pensou em escrever para o público adulto para acompanhá-las?

– A menina que tinha 15 anos quando lancei o “Fazendo meu filme 1” hoje tem 22. Elas me pedem para acompanhá-las. Tenho até livros que já comecei para esse público mais adulto, mas está me faltando tempo. Com certeza é um projeto.

– São 750 mil exemplares vendidos. Desde quando você é escritora em tempo integral?

– De uns quatro anos para cá. Fui deixando tudo aos poucos. Além de trabalhar com publicidade, dava aula de música. Como viajo muito, não estava conseguindo conciliar. Hoje em dia, dá para eu viver bem com o direito autoral dos livros.

– Ser um fenômeno de vendas faz com que você se sinta pressionada a publicar mais e mais?

– A pressão maior é dos leitores. O “Minha vida fora de série”, por exemplo, serão quatro ou cinco livros, ainda não posso dar certeza porque não sei quantos vou precisar para desenvolver as ideias que tenho, mas já sei tudo o que vai acontecer até o final. Com isso, os leitores ficam desesperados.

– Como autora de entretenimento, você acredita que consegue respeito do meio literário?

– Sempre tem aqueles que acham que só os clássicos merecem consideração. Mas as pessoas estão vendo que tem que começar de algum lugar. Não é obrigando uma pessoa a ler um Machado de Assis, um José de Alencar, que ela vai pegar o gosto pela leitura. Tem muita gente que fala para mim assim: “Eu odiava ler até ter contato com seus livros”. Escutar que estou incentivando uma geração inteira a ler é melhor que qualquer remuneração. Depois, claro, as pessoas vão procurar livros de entretenimento, mas também mais profundos. Tem gente da minha época de escola que diz que, depois do colégio, não leu mais nada. É preciso adquirir esse gosto de ler por prazer. Acho que estão vendo isso na minha literatura, e ela tem seu mérito por essa razão.