Brasil é responsável por até 190 mil toneladas de microplásticos no ambiente marinho, aponta estudo

Estudo aponta que país é responsável por até 190 mil toneladas de resíduos no ambiente marinho


Por Tribuna*

16/08/2025 às 15h00

Brasil é responsável por até 190 mil toneladas de microplásticos no ambiente marinho, aponta estudo
(Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

A Academia Brasileira de Ciências (ABC) divulgou na última semana o relatório Microplásticos: um problema complexo e urgente. O documento analisa os impactos do descarte inadequado desse tipo de material e propõe ações para enfrentar a contaminação causada por fragmentos microscópicos que afetam rios, oceanos e a saúde humana.

De acordo com levantamento bibliográfico realizado por pesquisadores, o Brasil contribui anualmente com até 190 mil toneladas para o volume total de lixo presente no ambiente marinho. No cenário global, estima-se que sejam produzidas cerca de 400 milhões de toneladas de plástico por ano, das quais menos de 10% são recicladas.

O estudo indica que aproximadamente 80% dos resíduos plásticos encontrados no mar têm origem em atividades terrestres, como turismo, indústria, crescimento urbano desordenado e falhas na gestão de resíduos sólidos. Os 20% restantes vêm de atividades realizadas no próprio mar, como transporte marítimo e pesca.

A presidente da ABC, Helena Nader, destacou a necessidade de ações articuladas. “Enfrentar a poluição por microplásticos exige uma ação coordenada entre governo, setor produtivo, comunidade científica e sociedade. Precisamos rever estratégias nacionais e investir em educação, inovação e regulação para proteger a saúde humana e os ecossistemas”, afirmou.

O documento ressalta que, ao chegarem ao oceano, os resíduos são dispersos por marés, correntes e ventos, provocando impactos ambientais, sociais e econômicos. Entre os riscos, está a ingestão por animais marinhos e outros organismos da cadeia alimentar. Pesquisas já identificaram a presença de microplásticos em órgãos humanos, incluindo placentas e cordões umbilicais.

Para o vice-presidente da ABC para a Região Norte e coordenador do grupo de trabalho sobre microplásticos, Adalberto Luis Val, é necessário repensar o uso e o destino do material. “O relatório propõe um conjunto robusto de ações concretas, que exigem a atuação coordenada entre governo, setor produtivo e sociedade. Não podemos mais tratar os plásticos como descartáveis. É hora de assumir a responsabilidade pelo ciclo completo desses materiais, desde a produção até o descarte e a reciclagem”, avaliou.

Propostas para enfrentamento

O relatório apresenta seis frentes de ação para reduzir a poluição por microplásticos:

  • Governança – Revisar o Plano Nacional de Combate ao Lixo no Mar (2019), reforçando o enfrentamento aos microplásticos; ampliar o debate e a implementação do Tratado sobre a Poluição Ambiental por Plásticos.

  • Ciência, tecnologia e inovação – Elevar os investimentos em reciclagem; incentivar a reutilização de plásticos; substituir polímeros sintéticos por opções biodegradáveis em produtos descartáveis.

  • Fomento e financiamento – Criar mecanismos para avaliação de riscos à saúde e outras medidas para mitigar os efeitos da poluição plástica, incluindo o uso de nanotecnologia para ampliar o reaproveitamento do material.

  • Capacitação – Qualificar e formalizar o trabalho de catadores; oferecer treinamento a professores do ensino fundamental e médio.

  • Circularidade dos plásticos – Promover mudanças na legislação para garantir descarte adequado e coleta separada de materiais plásticos.

  • Educação ambiental e comunicação – Instituir políticas governamentais voltadas à educação ambiental para trabalhadores de fábricas, empresários e setor agropecuário; desenvolver campanhas sobre descarte e reciclagem.LEIA MAIS notícias sobre Brasil e Mundo aqui

*Texto com informações da Agência Brasil e reescrito com o auxílio do Chat GPT e revisado por nossa equipe