Suspeita de febre maculosa em Matias
Dois óbitos em Matias Barbosa, nos últimos dois meses, têm preocupado moradores e autoridades, uma vez que as suspeitas são de que as mortes tenham sido causadas por febre maculosa, transmitida pelo chamado “carrapato estrela”. O primeiro caso foi registrado no início de agosto, vitimando um jovem de 22 anos. A segunda vítima foi um homem, 32, que morreu em 19 de setembro, no Hospital Doutor João Penido, em Juiz de Fora.
Ainda há um terceiro caso envolvendo a suspeita de contágio pela doença. A vítima, do sexo masculino, deu entrada na Policlínica de Matias Barbosa em 19 de setembro. O paciente, 47, foi transferido para o Hospital e Maternidade Terezinha de Jesus, em Juiz de Fora, onde teve alta no último dia 25. Dos três casos, apenas nos dois últimos foi coletado o material para o exame capaz de identificar quais doenças atingiram as vítimas. As coletas foram encaminhadas para a Fundação Ezequiel Dias, em Belo Horizonte, e o resultado deve sair nos próximos dias. Conforme a Superintendência Regional de Saúde somente os dois últimos casos foram notificados .
Para orientar a população sobre as causas e formas de prevenção da doença, agentes de saúde do município vizinho intensificaram as campanhas de conscientização. “Estamos indo de porta em porta, conversando com as pessoas e distribuindo panfletos. Coletaremos material dos animais que conviviam próximos às vítimas para investigarmos a situação”, afirmou a coordenadora da Vigilância e Saúde de Matias, Eva Leopoldo.
Ela explica que os sintomas da maculosa são parecidos com outras doenças, o quedificulta o diagnóstico. “(Os sintomas) são semelhantes à virose, gripe e amidalite. Os médicos ficam sem saber realmente o que está acontecendo. O paciente tem relatar ao profissional se teve contato com o carrapato. Por isso, estamos indo de casa em casa”, revela.
O veterinário responsável pelo Setor de Zoonoses de Juiz de Fora, José Geraldo de Castro Júnior, ainda completa: “É uma febre hemorrágica e apresenta sintomas inespecíficos, comuns a outras doenças que não se tornam tão graves, como dor corpo, mal-estar, febre, dor de cabeça e calafrios. Porém, se não for tratada pode se agravar. A letalidade da doença gira em torno de 80%, ou seja, de cada dez pessoas acometidas, oito vêm a óbito. Se não forem medicadas nos primeiros dias, começam a aparecer manchas no corpo e pode ocorrer hemorragia em várias partes do organismo, levando à morte”, alerta.
Capivaras e gambás são reservatórios
De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde de Minas, de 2007 a 2014, não foram confirmados casos de febre maculosa em Matias Barbosa. Já em Juiz de Fora, houve cinco mortes nos últimos sete anos. Em todo o estado, no mesmo período, foram 93 casos confirmados da moléstia e 41 óbitos.
Segundo o veterinário do Setor de Zoonoses de Juiz de Fora, José Geraldo de Castro Júnior, o carrapato adquire a doença exclusivamente do gambá e da capivara. No entanto, pode parasitar todas as espécies domésticas, inclusive aves. “Animais de casa funcionam como amplificadores. Como possuem um volume de sangue considerável, principalmente o cavalo, ao sugar o sangue destes animais, o carrapato tem a reprodução acentuada.”
O veterinário explica que o carrapato precisa de 4 a 6 horas de adesão ao corpo para transmitir a doença. “Daí a necessidade de a pessoa que estiver em áreas de risco, como mata fechada e pasto, fazer uma vistoria no corpo a cada três horas.
Segundo ele, a doença está associada a um desequilíbrio ecológico. “Não era para o ser humano ter febre maculosa, só os animais silvestres. O ser humano é um hospedeiro acidental.”









