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No universo do empreendedorismo feminino, um dos maiores desafios enfrentados pelas mulheres é a gestão financeira. Dados do IBGE mostram que 6 em cada 10 empresas fecham nos primeiros cinco anos de existência, sendo a falta de organização financeira um dos principais motivos para isso. Para entender melhor essa questão e como evitá-la, conversamos com a consultora financeira Fernanda Dornelas.
Segundo Fernanda, muitas empreendedoras acreditam que a organização financeira só é necessária quando o negócio atinge um determinado porte. “As pessoas acham que, quando está pequeno, não precisa, e que vão se organizar depois. Mas é justamente o contrário: é fundamental começar a se organizar desde o início. Se a empresa cresce desorganizada, ela não cresce de verdade”, alerta.
Para sair da mentalidade de pequena empreendedora e assumir uma postura de empresária, é essencial desenvolver uma visão estratégica. “O planejamento financeiro permite que a empreendedora tenha clareza sobre suas metas, custos e possibilidades de investimento, garantindo um crescimento sustentável”, destaca.
Fernanda explica que a falta de educação financeira é uma questão cultural no Brasil. “Não aprendemos sobre finanças na escola. Crescemos acreditando que é algo complicado ou que exige conhecimentos avançados de matemática. Mas, na realidade, existem ferramentas simples, como aplicativos e planilhas, que facilitam muito essa gestão”.
Além disso, muitas empreendedoras se concentram apenas em aprender sobre vendas e gestão do negócio, negligenciando o controle financeiro. “O problema é que, sem uma base financeira sólida, mesmo um negócio com alto faturamento pode acabar fechando”, alerta a consultora.
Os principais erros financeiros das empreendedoras
Entre os erros mais comuns, Fernanda destaca:
- Falta de planejamento: Muitas empreendedoras se preocupam apenas com o presente e não projetam despesas futuras. “Sem previsão de gastos, o risco de enfrentar dificuldades financeiras inesperadas aumenta”.
- Não separar dinheiro pessoal do empresarial: “A empresária precisa definir um pró-labore e não misturar as finanças pessoais com as do negócio”, reforça Fernanda.
- Ausência de reserva financeira: “Muitas não guardam dinheiro para emergências. Investir, mesmo que seja pouco, já faz diferença”, pontua.
- Erro na precificação: “Esquecer custos indiretos, como deslocamento e material, pode comprometer a rentabilidade do negócio”.
- Má gestão de empréstimos: “Nem todo empréstimo é ruim, mas precisa ser bem planejado. Além disso, é essencial comparar taxas e condições antes de contratar qualquer linha de crédito”, explica.
Para evitar esses problemas, Fernanda reforça a importância da conciliação bancária e do acompanhamento financeiro. “Revisar os gastos regularmente e comparar com o planejado ajuda a corrigir desvios a tempo”. Segundo ela, quem ainda não começou pode aproveitar o momento: “Se os dois primeiros meses do ano foram desorganizados, ainda há dez meses pela frente para ajustar o planejamento e garantir um 2025 de crescimento e estabilidade”.
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