Cuidado com o celular

Os casos de furtos e roubos de celulares têm crescido em Juiz de Fora e outras cidades do país. Quem circula com os aparelhos à mostra nas ruas, principalmente os smartphones, muitas vezes, acaba sendo alvo de ladrões. O risco aumenta em casos de uso do telefone sem os devidos cuidados em meio a aglomerações. Quem for participar de blocos de carnaval deve redobrar os cuidados.
Segundo levantamento de dados da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), de janeiro a novembro de 2014, foram 1.546 furtos de celulares no município, enquanto, no mesmo período do ano anterior, foram 1.315, aumento de 17%. Nas ocorrências de roubo, no mesmo intervalo de tempo, foram 577 boletins em 2014, contra 416 em 2013, configurando 38% a mais. O crescimento desse tipo de crime, que é perceptível em todo o Brasil, fomenta o debate sobre as formas de inibi-lo e obriga o usuário a ficar mais antenado às diversas tecnologias que vêm sendo desenvolvidas para bloqueio de acesso ao conteúdo e do próprio aparelho. O aumento das notificações também expõe uma outra realidade: considerados aparelhos de alta tecnologia, os celulares, principalmente os smartphones, possuem maior poder de barganha nas bocas de fumo, onde o criminoso, que muitas vezes também é usuário, consegue mais droga para consumir.
Para o titular da 1ª Delegacia Regional de Polícia Civil de Juiz de Fora e com atuação durante oito anos na Delegacia Especializada em Furtos e Roubos, Rodolfo Rolli, há uma grande exposição desses telefones. “É preciso ficar atento quando se transita em via pública ou numa aglomeração de pessoas. Existem jovens que têm a mania de deixar o aparelho no bolso de trás da calça, e metade do celular fica à mostra. Numa aglomeração, alguém pode esbarrar e furtar o aparelho sem que a pessoa perceba”, adverte o delegado, completando: “Devemos ressaltar que a maioria dos ladrões que aborda vítimas nas ruas é usuária de drogas, que repassa os celulares para os traficantes em troca de entorpecentes. Na maioria das vezes, um aparelho de última geração é trocado por um valor irrisório.” Por motivo de segurança, a Seds não divulga quais as regiões da cidade onde há maior incidência de registro de furtos e roubos de celulares.
Além das medidas de autoproteção que cada um pode adotar, ações que envolvem as operadoras telefônicas tendem a contribuir. A vítima pode ligar para a companhia e pedir o bloqueio da linha, o que irá impedir o acesso ao conteúdo do chip do aparelho. Todavia, se o ladrão usar outro chip, com outro número, ele consegue utilizar o telefone roubado. A sugestão dos especialistas é que, ao perder o celular, a pessoa deve bloquear a linha e o aparelho. Para tanto, é necessário fornecer à operadora o número do Imei, que é uma espécie de digital numérica, uma série de 15 números, que todo aparelho possui. Isso irá impedir que o aparelho furtado funcione. A orientação é anotar o número do Imei e guardá-lo separadamente, como forma de prevenção.
Aplicativos para rastrear aparelhos
Além das medidas de segurança adotadas quanto ao comportamento dos usuários de celulares e do acionamento das operadoras, existem aplicativos que podem contribuir para melhorar a proteção dos aparelhos, se, de fato, eles forem roubados, pois dificultarão o acesso a qualquer coisa que não seja o próprio hardware do telefone. “A maioria desses aplicativos e também aqueles mais utilizados são gratuitos e, apesar das limitações, como o funcionamento dependente de sinal de internet ou de o aparelho estar ligado, essas ferramentas são importantes no quesito segurança”, avalia Cleverson Garcia, que trabalha há três anos com manutenção e venda de celulares. Ele também acredita que, em função dos altos valores, os celulares servem de atrativo para ladrões. “Alguns aparelhos chegam a custar R$ 2 mil ou R$ 3 mil”, destaca.
O delegado Rodolfo Rolli também recomenda a utilização desses aplicativos, mas adverte: “Temos que lembrar que há hackers que conseguem anular esses aplicativos. Mas repito, eles são bons e têm sua eficiência, mas o ideal é que a pessoa tome cuidados necessários, até para evitar ser abordada por um bandido e não passar pelo trauma de um assalto”, enfatiza Rolli, lembrando do caso de um homem, de 20 anos, que foi agredido e teve o celular roubado no Centro, no último dia 22. De acordo com o delegado, a ação ocorreu na Avenida Itamar Franco, onde a vítima, que estava falando ao celular, foi abordada por dois criminosos, um deles armado de faca, que exigia o telefone. Durante o assalto, o aparelho caiu no chão. A vítima abaixou para pegar, quando foi agredida pela dupla. Os suspeitos fugiram, e a PM foi acionada. Um deles, de 22 anos, foi detido e encaminhado à delegacia de Plantão. A vítima reconheceu o suspeito, que teve o flagrante confirmado por roubo qualificado e encaminhado ao Ceresp.









