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Ciclovia da UFJF fica pequena para tantos usuários


Por Eduardo Maia

25/01/2015 às 07h00- Atualizada 27/01/2015 às 18h45

Na última segunda-feira, mais de 50 corredores utilizavam a ciclovia no fim da tarde

Na última segunda-feira, mais de 50 corredores utilizavam a ciclovia no fim da tarde

Embora sem regra definida, UFJF autorizou a pintura, por ativistas, de sinais indicativos de exclusividade para ciclistas

Embora sem regra definida, UFJF autorizou a pintura, por ativistas, de sinais indicativos de exclusividade para ciclistas

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O anel viário do Campus da UFJF é um espaço consagrado pelo juiz-forano para atividades ao ar livre. Nas últimas semanas, porém, um conflito tem se desenhado pela utilização da ciclovia por pedestres para a prática de exercícios. A ação já provocou conflitos entre os usuários, inclusive com ocorrências de discussões e pequenos acidentes no local. Em alguns casos, por falta de espaço, os ciclistas chegam a se desviar para a pista de automóveis, sob risco de acidentes de maior proporção. A Tribuna esteve no local no fim da tarde da última segunda-feira e flagrou mais de 50 corredores utilizando a pista para se exercitarem. Não há uma determinação oficial da UFJF sobre a exclusividade de uso do local por ciclistas, e o próprio Código de Trânsito Brasileiro (CTB) também não traz uma regulamentação específica sobre o tema. Neste contexto, especialistas e representantes de movimentos alertam para o respeito e o bom senso na utilização da via.

Educador físico e treinador de uma empresa de assessoria esportiva, Pablo Ribeiro Casadio considera que o espaço já não atende mais à demanda de atletas profissionais em determinados horários. “A ciclovia da UFJF não funciona para treinamento. As pessoas não conseguem ganhar aptidão porque ela é curta, tem quebra-molas e, por tradição, é utilizada por muitos para correr. Com a maior busca pela prática de esportes, muitos deixam de correr na calçada e optam pela ciclovia. A questão não é um confronto entre esportes, acho que é falta de espaço que a cidade tem a oferecer”, considera.

Pablo não recomenda aos pedestres utilizarem a pista demarcada aos ciclistas. “No caso do corredor que vem fazer um treino forte, de corrida rápida, tem que tomar cuidado para não bater em ninguém. Há outros lugares para correr, como a Via São Pedro. A ciclovia também pode ser um pouco perigosa para o ciclista iniciante nos horários de pico. As pessoas estão aprendendo, há obstáculos, e muitos carros passam ao lado. Só é indicado para os ciclistas que já sabem andar e sinalizar. Já presenciei acidentes entre um ciclista e um corredor, que chegou a se machucar e a quebrar peças da bicicleta”, conta.

Amparado pelo CTB, o diretor da ONG Mobilicidade JF, Guilherme Mendes, alerta para a necessidade de respeito às demarcações das vias. “Já vi professores de equipe de corrida falando para os alunos correrem na ciclovia. Fico triste em ver alguns profissionais incentivando o corredor a desrespeitar a lei. Ao mesmo tempo em que somos contra os ciclistas andarem de bicicleta em cima da calçada, não apoiamos os corredores que usam a ciclovia. A ciclovia da universidade não é compartilhada”, diz.


Pedestre é na calçada

A lei de trânsito não estabelece proibições ou punições aos pedestres que transitam em vias destinadas aos ciclistas. Propõe aos usuários que utilizem as calçadas, impõe multa aos ciclistas que transitam nos passeios e regulamenta a relação entre os veículos motorizados, ciclistas e pedestres. Destaca também, no anexo I, a diferenciação entre os termos ciclovia e ciclofaixa (ver quadro). O consultor em trânsito e proprietário de autoescola Sebastião Pires de Camargos sustenta que é grande a briga por espaço físico no trânsito e atenta para a necessidade do respeito entre os usuários. “A lei sugere que o pedestre ande na calçada, mas, muitas vezes, ele não respeita. Nesse caso, o CTB apenas adverte, cabe às pessoas cumprirem. Não existe multa ao pedestre. É uma questão de educação e de bom senso”, afirma.

Sinais sonoros

Uma das alternativas para solucionar este impasse é a instalação de sinais sonoros nas bicicletas, como a buzina ou campainha, para alertar aos corredores. O sinal é exigido pelo CTB para garantir a segurança dos veículos, no artigo 105. “Acho uma boa medida, tenho medo quando o ciclista vem no mesmo sentido que eu”, revela a estudante de enfermagem Tayene Oliveira. A Unimed avalia junto à UFJF a possibilidade de alguns ajustes no projeto Estação Bike, entre eles a instalação de sinal sonoro nos equipamentos.

Sem sinalização adequada

Embora não proponha uma regulamentação definida em relação às permissões dos usuários da ciclovia e pista de caminhada, a universidade lançou uma campanha no segundo semestre do ano passado para orientar à população a respeitar espaços. Intitulada “Todos têm seu espaço na UFJF”, a iniciativa tinha com objetivo orientar para que os usuários respeitassem os limites da ciclovia durante as atividades de lazer e esporte.

A ciclovia tem cerca de 2.140 metros de extensão e apresenta sinalização precária, tanto em relação à pintura da via, quanto às placas de orientação aos pedestres e ciclistas. Ao longo do anel viário, há quatro pictogramas que advertem em relação ao uso da pista. Os sinais indicam que a ciclovia deve ser usada exclusivamente pelos ciclistas, sendo proibida para pedestres. A pintura chegou a ser feita por ativistas, com a autorização da universidade.

De acordo com o diretor de desenvolvimento institucional, Henrique Duque, está prevista uma reforma de todo o anel viário da UFJF, que contempla a instalação de um artefato de cimento para auxiliar na segurança dos ciclistas, reforma dos passeios e novo esquema de sinalização da via. A publicação da licitação está prevista para fevereiro.