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Liam Neeson não perdoa


Por JÚLIO BLACK

22/01/2015 às 07h00

Liam Neeson interpreta o ex-agente velho de guerra que precisa provar sua inocência

Liam Neeson interpreta o ex-agente velho de guerra que precisa provar sua inocência

Mesmo tendo estrelado o cult “Darkman – a vingança sem rosto”, em 1990, Liam Neeson foi por muitos anos conhecido pelos seus papéis em filmes dramáticos como “A lista de Schindler”, “Michael Collins – o preço da liberdade”, “Maridos e esposas” (de Woody Allen) e “Gangues de Nova York”. O que passa batido por muitos é que o ator irlandês de 62 anos tem se aventurado há tempos pelos blockbusters de ação, entre eles “Batman begins”, “Esquadrão classe A”, “Star wars – episódio 1: a ameaça fantasma”, “As crônicas de Nárnia”, “Battleship – a batalha dos mares”, “A perseguição” e “Sem escalas”. Mas a franquia que ajudou a encher os bolsos do improvável astro hollywoodiano é “Busca implacável”, que tem sua terceira e (provável) última parte com lançamento nesta quinta-feira nos cinemas brasileiros.

No encerramento da trilogia, o ex-agente do governo do Estados Unidos Bryan Mills (Neeson) busca levar uma vida ainda mais distante das atribulações na cidade de Los Angeles, dedicando mais tempo à filha Kim (Maggie Grace, a Shannon de “Lost”) e, ao mesmo tempo, tentando reatar o relacionamento com sua ex-esposa, Lenore (Famke Janssen, mais conhecida como a ruiva-tentação Jean Grey dos filmes dos X-Men). A paz e tranquilidade de Mills terminam quando Lenore é encontrada morta pela polícia, com o ex-agente ao lado dela. Após ser detido, ele consegue fugir e passa a ser perseguido pela polícia, a CIA e o FBI, precisando provar sua inocência ao mesmo tempo em que tenta descobrir quem armou para ele. Ah, e ele também precisa livrar a filha de ser a próxima vítima.

Assim como os outros filmes, “Busca implacável 3” é marcado pela ação vertiginosa, tiroteios incessantes, perseguições de todos os tipos e algum suspense, com Liam Neeson precisando suar a camisa, fazer cara de mau e bater nos meliantes para justificar o cachê de US$ 20 milhões para estrelar a produção francesa dirigida por Olivier Megaton e produzida por Luc Besson, de “Lucy” e “O quinto elemento”.

Quando estrelou o primeiro “Busca implacável”, em 2008, Liam Neeson ajudou a consolidar – mesmo que com algumas rugas a mais – o novo estereótipo de astro de filmes de ação: o do sujeito comum que poderia ser o seu vizinho, casos de Matt Damon como Jason Bourne e até mesmo Daniel Craig como James Bond, em contraponto aos musculosos Sylvester Stallone, Arnold Schwarzenegger e Jean-Claude Van Damme. Ao mesmo tempo, todos os filmes da franquia carregam no DNA elementos de filmes dos anos 1970 e 1980 – e até mesmo dos 1990.

Uma dessas características é a necessidade de vingança – ou “mexeu com a família, mexeu comigo” – típica da série “Desejo de matar”, em que Charles Bronson, na pele de Paul Kersey, voltava às armas para passar fogo na bandidagem sempre que um ente querido era assassinado (caso de “Busca implacável 3”). A necessidade de virar um “exército de um homem só” para resgatar a filha, no primeiro filme, remete a “Comando para matar”, em que Schwarzenegger era um militar americano que matava um exército inteiro, sozinho, para resgatar a cria. Na mesma linha, “Busca frenética” (1988), de Roman Polanski, mostrava o médico interpretado por Harrison Ford tentando resgatar sua mulher em Paris. O retorno do parente de um vilão em busca do acerto de contas, visto em “Busca implacável 2”, traz à memória “Duro de matar – a vingança”, de 1995, em que o indestrutível John McClane de Bruce Willis precisa lidar com o irmão de um terrorista morto no primeiro filme. A virtual imortalidade de Mills pode muito bem ser comparada a do próprio John McClane, que apanhava, levava tiros, se estropiava todo, mas sempre tinha um gás a mais para socar e balear os inimigos.

BUSCA IMPLACÁVEL 3

UCI 5: 13h30, 15h45, 18h, 20h15 e 22h30. Alameda 1 (dub): 15h e 19h20. Alameda 1: 17h10 e 21h30. Santa Cruz 1 (dub): 16h30, 18h45 e 21h

Classificação: 14 anos