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Audiência debate cemitério vertical


Por Tribuna

25/06/2012 às 20h55

José Sóter de Figueirôa destacou que houve movimentação de terra antes da concessão de licença

José Sóter de Figueirôa destacou que houve movimentação de terra antes da concessão de licença

A possibilidade de construção de um cemitério vertical no Bairro Marilândia, na Cidade Alta, transformou-se em tema polêmico na audiência pública realizada nesta segunda-feira (25) na Câmara Municipal. Denúncias sobre a suposta ilegalidade do empreendimento foram apresentadas por moradores da região.

O vereador José Sóter de Figueirôa (PMDB), proponente da audiência, ressaltou que houve movimentação de terra antes da concessão de licença ambiental prévia e apontou a ausência de placas com informações sobre os responsáveis técnicos da obra. "Causa estranheza não ter sido feito estudo de impacto de vizinhança."

Conforme os vereadores Flávio Cheker (PT) e Roberto Cupolillo (Betão – PT), que também subscreveram o pedido de audiência, tal estudo é uma obrigação, conforme o Estatuto das Cidades. Além disso, Cheker destacou que outra exigência legal é a discussão do projeto com a comunidade.

Mas, segundo o funcionário público Luiz Cláudio Santos, um dos representante da comunidade, os procedimentos não contaram com participação popular. "Procuramos a SAU (Secretaria de Atividades Urbanas) e a Agenda JF para relatar as irregularidades, mas nada foi feito. Não houve outra alternativa senão recorrer à Justiça." O processo judicial citado pelo morador é uma referência à liminar concedida para a suspensão dos procedimentos de licenciamento até que todos os dispositivos legais sejam cumpridos.

Moradores também manifestaram preocupação em relação à proximidade do empreendimento com o Aeroporto da Serrinha, à falta de estudo de impacto ambiental e às suspeitas de irregularidade no processo de usucapião que garantiu a posse do terreno 67 mil metros quadrados onde o cemitério poderá ser erguido. Conforme o deputado federal Júlio Delgado (PSB), que também participou da audiência, existe projeto de expansão do aeroporto e isso deve ser verificado pelo Poder Público antes de a construção ser autorizada.

A titular da SAU, Graciela Vergara Marques, informou que o empreendimento possui manifestação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o que permitiu dar andamento aos procedimentos na pasta. No entanto, destaca que o empreendedor foi notificado quanto à ausência de relatório de impacto de vizinhança. Já o superintendente da Agenda JF, Alexandre Carneiro, explicou que, "por ser considerado de classe 1, o cemitério está dispensado de estudo de impacto ambiental". Contudo, o advogado e presidente da Comissão de Meio Ambiente da 4ª Subseção da OAB, José Rufino de Souza Júnior, informou que o entendimento sobre a necessidade do estudo é controverso e, como se trata da construção de um cemitério com potencial de impacto ambiental, o mais indicado seria que fosse realizado.

O arquiteto responsável pelo projeto, Fernando Oceano, destacou que "não foi dado nenhum passo sem seguir as orientações dos órgãos competentes e a legislação". Já o consultor ambiental do empreendimento, Ricardo Torres, disse que o estudo de impacto de vizinhança começou a ser feito, que a placa necessária está no local, e que todas as condicionantes apontadas pela Agenda JF serão cumpridas.