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Desafio nas calçadas


Por LILIANE TUROLLA

03/10/2014 às 06h00

Na Getúlio com Halfeld, Gislaine não consegue usar a rampa de acesso à calçada na faixa de pedestres

Na Getúlio com Halfeld, Gislaine não consegue usar a rampa de acesso à calçada na faixa de pedestres

Na Rua Oscar Vidal, raízes de árvore já cortada levantaram calçamento. A fluidez fica comprometida, além de favorecer quedas

Na Rua Oscar Vidal, raízes de árvore já cortada levantaram calçamento. A fluidez fica comprometida, além de favorecer quedas

Carregador enfrenta dificuldade na calçada da Itamar Franco

Carregador enfrenta dificuldade na calçada da Itamar Franco

Circular pelas ruas da região central pode ser um desafio para os pedestres. Por um mês, a Tribuna observou a região e identificou diversos pontos que, ao invés de promoverem a acessibilidade, põem em risco as pessoas, sobretudo as com mobilidade reduzida, como deficientes físicos, idosos e gestantes. Além de calçadas danificadas, a maioria dos rebaixamentos de passeios é mal posicionada, obrigando, muitas vezes, a travessia fora da faixa e a circulação em meio aos carros para alcançar o outro lado da via. As reclamações também chegaram por meio dos leitores, que afirmam que as imperfeições têm causado muitos tombos e torções nos tornozelos, principalmente em idosos. Ontem a Settra realizou o primeiro Safári Urbano, programa que tem como objetivo reavaliar as condições de mobilidade e propor melhorias para a circulação.

A calçada ideal é aquela que garante o caminhar livre, seguro e confortável a todos os cidadãos. Deve oferecer acessibilidade, largura adequada e fluidez. As leis federais (10.048/2000 e 10.098/2000) que estabelecem os critérios de mobilidade urbana preveem, de forma geral, a supressão de barreiras e obstáculos que impeçam a utilização, com segurança e autonomia, dos espaços da cidade. No entanto, as principais vias do Centro apresentam discordâncias com a legislação e danificações que comprometem o caminhar seguro. A má conservação e as irregularidades, de acordo com os pedestres, são sinônimos de desconforto e acidentes. Dos locais observados pela reportagem, dois merecem destaque: as avenidas Getúlio Vargas e Itamar Franco.

A Getúlio foi a campeã de problemas. No cruzamento com a Rua Halfeld, onde o fluxo de veículos e pedestres é intenso, uma mulher com bebê no carrinho foge da faixa devido à massa de pessoas atravessando. Para subir com o filho na calçada, um esforço extra. “A rampa e a faixa são pequenas para a quantidade de gente que usa. Quase nunca consigo subir por ela, e não é só o aqui. Sempre tenho que levantar o carrinho para subir o meio-fio, tenho medo do meu filho cair”, afirma a tesoureira Gislaine Oliveira.

Já na Avenida Itamar Franco, a maioria dos rebaixamentos das calçadas não está na mesma direção. São esses nivelamentos com o asfalto que possibilitam a subida de pessoas com mobilidade reduzida nos passeios e canteiros centrais para cruzar a via. O problema acontece em toda extensão da avenida, e a ausência das rampas implica, ainda, a presença de altos degraus. Os pedestres se valem dos acessos às garagens, mas tais pontos usados para travessia estão fora das faixas e dos sinais de segurança.

Desrespeito

Para o cineasta Franco Groia, cadeirante e um dos autores do grupo do Facebook “Deficiente eficiente”, que milita por melhores condições de mobilidade urbana, faltam profissionais capacitados para perceber as irregularidades. “Há locais onde faltam rampas, em outros, elas são mal projetadas ou estão danificadas. As políticas públicas têm que ser constantes, não basta só construir, tem que seguir os padrões da lei e realizar a manutenção.”

Settra faz levantamento de pontos críticos

A fim de buscar soluções para as questões de mobilidade na cidade, a Settra realizou ontem o primeiro “Safári urbano”, programa que tem como objetivo vistoriar as falhas das calçadas da região central para elaboração de um plano de melhorias. Representantes das organizações Cidade Ativa e Embarq Brasil, instituições que trabalham com planejamento urbano sustentável, juntos com a chefe do Departamento de Políticas para a Pessoa com Deficiência e Direitos Humanos (DPCDH), Thais Altomar, estiveram na Avenida dos Andradas, onde foram constatadas situações que comprometem o caminhar seguro e agradável.

O projeto irá propiciar melhor aproveitamento da verba do programa de Mobilidade Urbana do Governo federal, parte do PAC, que fomenta cidadania e inclusão social a partir da garantia de acessibilidade. Segundo o titular da Settra, Rodrigo Tortoriello, Juiz de Fora, comparada a outros municípios, tem uma situação boa de mobilidade, mas ainda tem muito que melhorar. “Os técnicos da Embarq Brasil irão nos auxiliar com elaboração de projetos que vão verificar se as obras do PAC estão de acordo com nosso plano de mobilidade, queremos mudar de cidade do automóvel para cidade das pessoas.”

De acordo com a arquiteta e urbanista do Cidade Ativa, Gabriela Callejas, além da identificação dos pontos, a intenção é desenvolver perspectivas e metodologias voltadas para o pedestre. Os calçadões e o comércio do Centro foram destacados por ela como aspectos que promovem a mobilidade. No entanto, a arquiteta ressalta questões que precisam de atenção. “Faltam faixas de travessia em frente a locais que atraem muita gente, como pontos de ônibus e centros de saúde.”

Sobre as danificações apontadas pela Tribuna, as secretarias de Obras e de Atividades Urbanas, responsáveis pela fiscalização das calçadas privadas e manutenção das públicas, informaram, por meio de nota, que “a manutenção dos passeios no Centro que são de competência da PJF é feita constantemente”. Para solicitar reparos de calçadas públicas, o cidadão deve entrar com um pedido no Espaço Cidadão JF, no Parque Halfeld ou nos Centros Regionais. Quando a calçada for particular, a responsabilidade é do proprietário. Em caso de denúncias, a pessoa deve entrar em contato com o 3690-7507.