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Junção de turmas afeta alunos do EJA


Por Tribuna

23/06/2012 às 07h00

A possibilidade de fechamento e junção de turmas do programa Educação de Jovens e Adultos (EJA) na rede municipal de ensino provocou manifestação dos vereadores na reunião realizada na manhã de ontem na Câmara. Isso porque, recentemente, a Secretaria de Educação informou aos diretores de escolas que, devido à baixa frequência e ao alto número de desistência do curso por parte dos alunos, há a possibilidade de formação de salas multisseriadas no início do próximo semestre. A notícia, que preocupa os professores, também desagradou os vereadores com atuação na docência, como Ana Rossignoli (PDT), Flávio Cheker (PT) e Roberto Cupolillo (Betão – PT). Para tentar solucionar o impasse, o vereador Rodrigo Mattos (PSDB) propôs que a Comissão de Educação da Câmara se reúna com o órgão municipal para tentar um acordo.

Segundo informações da assessoria de comunicação da Secretaria de Educação, a cidade tem 102 escolas municipais, sendo que 44 oferecem EJA, e 24 delas devem ser afetadas. A pasta municipal justifica que, no início deste ano, 2.041 alunos estavam inscritos no projeto, mas o índice de evasão atinge cerca de 50%, o que significa que apenas 1.087 estudantes estariam frequentes.

Os motivos da desistência são variados. Alguns não querem estudar. Infelizmente, grande parte não tem incentivo da família ou os pais não têm controle sobre o filhos. A escola perdeu o significado, desabafa o diretor de um colégio da Zona Nordeste, que preferiu não se identificar.

Já o vice-diretor da Escola Dilermando Cruz, Ivan Ribeiro, acredita que o problema é o horário das aulas.Tem gente que trabalha durante o dia e não vem à aula à noite, porque alega cansaço. Outros têm medo da criminalidade.

No entanto, o vereador Betão, que também é coordenador do Sindicato dos Professores de Juiz de Fora (Sinpro), defende não haver justificativas plausíveis para a junção de turmas. Vai prejudicar não só os professores, mas, principalmente, os alunos. No caso dos docentes, os que foram contratados como temporários podem ser desligados, alguns efetivos serão deslocados e os que permanecerem no programa terão dificuldade para repassar o conhecimento a estudantes com níveis de aprendizagem tão distintos.

A vereadora Ana Rossignoli também fez críticas à mudança e avaliou como um retrocesso, já que o EJA é voltado para pessoas com mais de 15 anos que não conseguiram concluir os estudos no tempo regular. A coordenadora do Sinpro Aparecida de Oliveira Pinto explica que, por terem diferentes necessidades, os alunos exigem grau diferenciado de atenção.

No entanto, a Secretaria de Educação encara a mudança como necessária. O procedimento padrão é de avaliação semestral de cada turma. Temos um mínimo e máximo de alunos por sala definidos por lei. Serão 24 turmas com reorganização em relação à sala inicial, mas vamos aumentar ou diminuir as salas de acordo com a demanda e seguindo a lei, garante a chefe do Departamento de Ações Pedagógicas da Secretaria de Educação, Gisela Ventura.