Suspeitos de golpe vão para o Ceresp

Fiscais da Receita durante vistoria em galpão
As doze pessoas presas na quinta-feira, entre elas uma mulher, suspeitas de aplicar golpes na cidade com a venda de edredons e panelas, tiveram o flagrante confirmado na madrugada desta sexta-feira(29). Eles foram encaminhados ao Ceresp e à Penitenciária Ariosvaldo Campos Pires, respectivamente. A suspeita é de que o bando comercializava os produtos e, no momento de efetuar a venda por meio de cartão de crédito, passava um preço diferente do combinado com o cliente, geralmente com valores bem superiores aos das mercadorias vendidas. De acordo com a Polícia Civil, durante depoimento, os envolvidos negaram a prática e afirmaram que não agiam de má-fé. Segundo o investigador Rogério Marinho, relatórios de venda das mais de dez máquinas apreendidas apontaram que o lucro diário de algumas delas ultrapassava os R$ 2 mil. Além disso, 35 prováveis vítimas do grupo compareceram quinta-feira à delegacia e mais de 40 na manhã de nesta sexta (29). As oitivas estão sendo agendadas.
Ainda pela manhã, uma equipe da 3ª Delegacia acompanhou fiscais da Receita Estadual até um galpão, anexo a um hotel no Bairro Benfica, Zona Norte, onde estão estocados dezenas de edredons e panelas sem notas fiscais. "Estamos fazendo contagem física das mercadorias. Elas estão descobertas de documento fiscal e, portanto, não sabemos a origem delas. Vamos verificar a posse legítima desses materiais, para saber a quem pertencia a propriedade", informou o auditor fiscal da Receita Estadual Max Vinicius Nogueira Rocha. Segundo ele, as mercadorias, aparentemente, são nacionais, o que elimina, em um primeiro momento, a possibilidade de crime de contrabando ou descaminho. Ainda conforme o auditor, os edredons e panelas foram apreendidos pela fiscalização, mas vão permanecer no galpão. "O responsável pelo estabelecimento vai ser eleito depositário fiel das mercadorias até o desfecho da investigação."
A proprietária do hotel contou que não havia estranhado o fato de o grupo ter estocado uma grande quantidade de materiais. "Recebemos muito vendedores que se hospedam aqui, porque nosso público é formado por representantes comerciais e empresas. Mas claro que achamos um pouco incomum." Os suspeitos estavam hospedados em uma pousada próxima ao local, pertencente à mesma família. "A maioria chegou no dia 13 de junho, mas alguns vieram antes e outros depois. Trouxeram um pouco de mercadoria nas caminhonetes e, depois, chegaram três caminhões-baú lotados. Como tínhamos esse galpão, que antes funcionava como restaurante, deixamos que colocassem aqui. Acho que deviam estar tendo lucro aqui", observou a mulher. "Eles saíam para vender na hora do almoço e ficavam com as crianças em volta. Entre eles, só conversavam no dialeto próprio", contou.
Esquema
Os suspeitos, que agiriam em todo o país, atuavam em dez caminhonetes de luxo, dos modelos Nissan Frontier e Toyota Hilux, e em um Fiat Strada. Eles teriam chamado a atenção porque andariam em comboio pelas ruas para negociar os materiais. Os veículos apreendidos, e juntos avaliados em R$ 1,2 milhão, têm placas de diferentes municípios dos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. A maioria estaria financiada. Com base nos canhotos dos cartões, a polícia acredita que o número de vítimas no município varia entre 300 e 500. A delegada Sheila Oliveira afirmou que os suspeitos podem responder por formação de quadrilha e estelionato, além de crimes na área fiscal. A ação policial foi batizada de "Operação Romani", porque os detidos falavam entre si o dialeto usado pelos ciganos.







