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Pimentel restringe nomeações


Por Tribuna

17/01/2015 às 07h00- Atualizada 17/01/2015 às 17h53

Governador mineiro teria contigenciado 25% dos cargos que estão em aberto

Governador mineiro teria contigenciado 25% dos cargos que estão em aberto

Após completar duas semanas cheias à frente do Governo de Minas, Fernando Pimentel tem adotado um tom ponderado em seus primeiros passos no comando da máquina administrativa estadual. Até aqui, o governador tem sido o estereótipo do mineiro, e adota uma postura discreta nas conduções dos trabalhos, evitando discursos públicos à imprensa, entrevistas coletivas ou ataques às gestões passadas, em que as rédeas do Estado permaneceram nas mãos do PSDB por 12 anos. Interlocutores do petista garantem que tal característica deve permanecer indelével nos primeiros meses do ano, até que o Governo possa fazer um balanço da real situação financeira das economias mineiras, tarefa delegada a vários nomes do primeiro escalão do petista. A tendência de o governador seguir caminhando em ovos com relação às finanças se evidencia com a decisão de Pimentel, que teria orientado seus secretários a manter até 25% dos cargos abertos como forma de conter despesas.

A contingência teria sido confirmada por integrantes do secretariado à imprensa de Belo Horizonte e será realizada à medida que as exonerações de nomes ligados à gestão passada for acontecendo. Pimentel já teria orientado inclusive que os secretários ponderassem sobre uma possível revisão do organograma de cada pasta, incluindo nessa análise a possibilidade de corte de pessoal. Em um número arredondado, a atual organização do Governo abriga cerca de 16 mil profissionais concursados. Caso o anseio de que a ocupação dessas cadeiras fique limitada a 75% seja levado à ferro e foro, aproximadamente quatro mil cadeiras poderão ficar ociosas nos primeiros meses da gestão petista.

Por outro lado, enquanto Pimentel aperta o cinto, a oposição grita e faz críticas à reforma administrativa proposta pelo governador e encaminha à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A peça ainda não foi apreciada. Essa semana, e deputado estadual oposicionista João Leite (PSDB) questionou, em algumas situações, a extinção da Ouvidoria Geral de Minas Gerais (OGE), como determina o dispositivo de autoria do Executivo. “Preocupo-me com a extinção da Ouvidoria, que cumpre um papel relevante. Ela não pertence a um partido, mas ao Estado”, afirmou durante a semana.

Jetons

A postura contida até aqui, todavia, não significa em absoluto que novas práticas pautam a nova gestão. Ao menos não em todas as situações, já que um velho subterfúgio utilizado por governantes para engordar os salários dos nomes que integram os primeiros escalões: o jetom. Ainda no primeiro mês da atual administração, pelo menos quatro secretários e dois subsecretários foram nomeados para integrar conselhos de estatais. Em um desses casos, Helvécio Magalhães (PT), secretário de Planejamento e Gestão, deve ser empossado nos conselhos administrativos do Banco de Desenvolvimento do Estado de Minas Gerais (BDMG), da Cemig e da Companhia de Tecnologia da Informação do Estado de Minas Gerais (Prodemge), o que irá acrescer seus vencimentos – de R$ 10 mil – em R$ 14,7 mil mensais.