Hiato Galeria inaugura exposição comemorativa

“20 anos em 22” reúne obras de mais de 80 artistas que, de alguma forma, contam a história desses 20 anos de galeria


Por Cecília Itaborahy, sob supervisão de Fabíola Costa

14/09/2022 às 07h00

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Petrillo, sinônimo da Hiato, habita também o entrelugar entre o artista e o curador, o pensador e o promotor (Foto: Felipe Couri)

O entrelugar é que interessa. Aquelas brechas que permitem dar espaço às expressões mais profundas. Entre o ontem e o amanhã, o hoje vai construindo as possibilidades de novas histórias. Quando Petrillo passeia pelos espaços da Hiato Galeria, mergulha nesses entrelugares, que é onde se encontram cada uma das 84 obras que fazem parte da exposição “20 anos em 22”, que será inaugurada nesta sexta-feira (16), às 20h, na Rua Coronel Barros 38 – São Mateus. É uma oportunidade de comemorar os 20 anos do ambiente de arte, mas, também, de projetar o que ainda virá nessa trajetória que só ganha fôlego a cada vez que um artista expõe sua obra por lá.
Cada uma em sua linguagem, as obras são retrato do que a Hiato foi e continua sendo nesses 20 anos. Os mais de 80 artistas convidados a expor na mostra são alguns dos nomes que já participaram de edições anteriores. Dois deles, inclusive, são artistas que começaram suas trajetórias dentro da galeria, por meio de um projeto social que proporcionava aulas de desenho a algumas crianças. Outros são nomes inéditos na Hiato. “A gente quis fazer isso inaugurando o que ainda virá nesses anos, nesses mais 20 anos de Hiato, e quantos mais forem”, diz Petrillo, artista plástico, idealizador e coordenador da galeria. Entre os nomes dos expositores, estão os já consagrados Manfredo de Souzanetto e o casal Fani e Carlos Bracher, e nomes da nova geração, como Josimar Freire e Francisco Brandão. Algumas obras fizeram parte da primeira exposição e compõem o acervo da galeria.
A história da Hiato acaba se confundindo com a própria história de Petrillo, assim como a história do artista se mescla com a da galeria. Cada uma daquelas paredes – mistura de concreto e memória -, pensadas de maneira a estarem sempre iluminadas pelo sol, foram construídas como se fossem a própria casa do coordenador. Do nome à construção, a galeria enaltece os entrelugares, os hiatos das histórias, dos tempos e das artes. E por mais que Hiato seja Petrillo, para ele não fazia sentido comemorar esses 20 anos com uma exposição só sua. Seu nome, claramente, está entre os expositores, mas fazer uma mostra coletiva, de acordo com ele, é o que mais dialoga com a história da galeria. “Eu quis dividir essa data com outras pessoas para falar da trajetória desses espaço e mostrar, também, o que a cidade produz. Eu vejo aqui a possibilidade de fazer alguma coisa perante tantas dificuldades. Ficar parado não resolve nada”, reflete. Como coordenador, seu nome está além da obra que assina, está, também, no pensamento da exposição como um todo: as posições de cada obra para que seja possível contar várias histórias em conjunto.,

Ampliação

A exposição funciona como inauguração da ampliação do espaço da Hiato. “Ninguém saiu ileso da pandemia”, e, com a galeria, não seria diferente. É essa situação também que explica algumas outras proximidades entre as obras expostas. “A cultura atravessou um momento catastrófico. Essa exposição representa um sentimento de respirar um ar novo. A minha obra, por exemplo, é como uma árvore, que quer algo mais arejado. A gente retrata esse renascimento.” Isso explica até o nome da exposição que, fazendo referência à idade do espaço, também traz em si a essência da Semana de 22, que fez 100 anos neste ano. E tudo de uma maneira coincidente, afinal, a ideia era comemorar, inicialmente, a maioridade da Hiato, há 4 anos, mas precisou ser adiado até os 22: a idade da maturidade.
Petrillo avalia que, nesses 20 anos, tudo mudou. “A própria arte mudou. Porque ela é pensamento e, como qualquer pensamento, muda o tempo todo. Mas o essencial se mantém: ela emociona, arrebata, te deixa com raiva, te faz sentir completamente vivo. E eu tenho esse desafio de continuar fazendo arte, de levantar todos os dias para isso. E a Hiato é essa minha inquietude, uma vontade boa de não ficar parado”, define. Além das exposições, a Hiato também oferece aulas de desenho e pintura. A ideia, de acordo com Petrillo, é voltar a oferecer os cursos sociais para crianças, pelo menos a partir do ano que vem.

20 anos em 22
Exposição em comemoração aos 20 anos da Galeria Hiato. De 16 de setembro a 8 de outubro (seg a sex, das 13h30 às 18h; sab, das 10h às 13h), na Galeria Hiato (Rua Coronel Barros 38 – São Mateus). Classificação: Livre