Oito pessoas são presas em operação contra o tráfico de animais silvestres
Operação Angry Bird foi deflagrada nesta sexta e também investiga lavagem de dinheiro; Gaeco também faz buscas em Lima Duarte, Bias Fortes e Duque de Caxias (RJ)
Oito pessoas foram presas durante manobra do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que cumpre mandados de busca e apreensão contra um grupo suspeito de realizar tráfico de animais silvestres. A ação marca o início da Operação Angry Bird, realizada nesta sexta-feira (20) em Juiz de Fora, Lima Duarte, Bias Fortes e Duque de Caxias (RJ).
No total, 13 pessoas têm mandados de prisão em aberto após investigações que também apontaram as práticas de maus tratos de animais, lavagem de dinheiro, comércio irregular de armas de fogo e organização criminosa. Outros 13 mandados de busca e apreensão nas quatro cidades seriam cumpridos. Das 13 prisões, oito tinham sido efetuadas até por volta das 11h, e outras cinco ainda seriam executadas durante o dia.
De acordo com o MPMG, as investigações realizadas ao longo de um ano mostraram que os animais são capturados por caçadores em cidades da Zona da Mata e do Campo das Vertentes e, depois, são entregues para os traficantes para serem vendidos em Duque de Caxias, Petrópolis (RJ) e São Gonçalo (RJ) em feiras livres. A prática, conforme as apurações, geram lucratividades que são ocultadas por meio da aquisição de veículos e imóveis.
Foram apreendidos mais de cem aves de diversas espécies, como trinca-ferro, azulão e curió. Alguns dos pássaros chegam a custar até R$ 3 mil no mercado ilegal. O grupo também teria participação no comércio de armas de fogo, que seriam utilizadas como moeda de troca no comércio clandestino. No total, as investigações apontaram que a organização conta com 14 integrantes, mas um dos membros não teve o mandado de prisão deferido pela Justiça.
“Hoje, as forças se uniram para dar uma resposta à altura de um crime que ocorre de maneira exponencial na nossa região, com imenso prejuízo à área ambiental e à área de segurança pública, tendo em vista que este crime é relacionado a diversos outros delitos”, afirma Thiago Carvalho, coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em Juiz de Fora.
Os órgãos policiais já haviam detectado um grande movimento de tráfico de animais, segundo o MPMG. As apurações fizeram com que fosse possível ligar as diversas pessoas que atuavam no mercado clandestino e supostamente formavam a organização criminosa. As investigações ainda mostraram que a caça dos pássaros chegava a alcançar áreas de preservação ambiental, como em Santa Rita de Ibitipoca.
Tráfico de animais silvestres é um dos que mais movimenta recursos
O promotor de Justiça de Defesa do Meio Ambiente de Juiz de Fora, Alex Santiago, destacou a gravidade desse tipo de prática criminosa. “A sociedade tem tendência a minimizar os crimes relativos à fauna, achando que é apenas uma pessoa que tem um passarinho. Mas, na verdade, temos dados da Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal) que apontam que o crime de tráfico de animais silvestres, entre os crimes transnacionais, é o quarto que mais movimenta recursos financeiros no mundo”, alerta.
De acordo com o promotor, no estado do Rio de Janeiro os pássaros adquirem ainda maior valor porque, com as maiores temperaturas em território fluminense, os animais cantam com mais intensidade. “Estamos falando de um grande mercado. Eram 14 pessoas que não viviam de outra coisa, senão do tráfico de animais, da caça, do transporte e da venda desses animais”, diz Santiago.
Os indivíduos alvos da operação desta sexta foram denunciados pelo Ministério Público e respondem a processo na 3ª Vara Criminal da Comarca de Barbacena, que expediu os mandados.
O cumprimento de mandados ocorre pelo Gaeco Zona da Mata, unidade Juiz de Fora, em conjunto com as polícias Militar e Civil de Minas Gerais e Polícia Rodoviária Federal (PRF). A manobra ainda tem a participação de promotores de Justiça, policiais do Batalhão de Polícia Militar de Meio Ambiente, policiais penais de Minas, veterinários do MPMG e do Centro de Triagem de Animais Silvestres do Instituto Estadual de Florestas (IEF).









