Cine Silva é inaugurado com exibição de filmes dirigidos por mulheres negras

Projeto do Coletivo Bananal é gratuito e com indicação livre; sessões serão no Nossa Senhora Aparecida


Por Cecília Itaborahy, sob supervisão de Wendell Guiducci

13/02/2022 às 07h00

O cinema acessível, que dialoga com a comunidade e contribui para fazer públicas as histórias de todas as populações, é transformador na medida que gera reconhecimento e identificação. Na periferia e para a periferia: esse é o propósito de ocupação do Cine Silva, projeto do Coletivo Bananal, que vai ser inaugurado neste domingo (13). Gratuito e com indicação livre, a sessão inaugural apresenta quatro filmes de jovens realizadoras negras: “Um tanto de um copo”, de Mariana Martins; “Suellen e a diáspora periférica”, de Renata Dorea; “As Ritas do Brasil”, de Rithyele Dantas; e “Janaina”, de Leticia Silva. O Cine Silva vai acontecer na Rua Luís Creozol, nº 3, Nossa Senhora Aparecida, na antiga quadra do Grizzu, às 19h.

De acordo com Letícia Silva, uma das organizadoras, os quatro filmes se enlaçam na medida em que constroem uma narrativa baseada na memória, seja ela real ou ficcional. O trabalho neles é a busca pelo entendimento da própria história, sobretudo a partir das fotos que ficam. O próprio nome do projeto entra em diálogo com a proposta. Silva é um dos nomes mais populares do Brasil e, por isso, representa uma identificação coletiva. Ancorados nessa ideia, o Bananal quer, também, fazer um cinema de todo mundo e para todo mundo. Afinal de contas, cinema de rua é para ser acessível e para dialogar com o local onde ele acontece. São as histórias desses lugares que os quatro filmes selecionados contam, cada um à sua maneira.

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Conheça os filmes:

Janaína

De que forma a maternidade e as subjetividades de uma mulher negra podem transformar sua identidade? Janaína é uma mãe que, através de uma reaproximação de si, após uma vida dedicada ao cuidado com o outro, mostra como as experiências do passado podem transformar a maneira como nos construímos.

Suellen e a Diáspora Periférica

Filha da Diáspora Periférica, Renata Suellen nasceu no Formigueiro das Américas, apelido de uma das cidades com maior adensamento populacional da América Latina, São João de Meriti, na Baixada Fluminense. “Suellen e a Diáspora Periférica” é um exercício fílmico na tentativa de desapagar a memória de uma infância às margens do Rio de Janeiro.

Um tanto de corpo

Mariana Martins resgata as histórias de sua avó, Chica, com quem ela, apesar de não ter tido contato, guardou memórias. No filme, seu pai, entre imagens de arquivo, faz um afetuoso relato sobre essa relação.

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As Ritas do Brasil

Rithyele Dantas reconstrói as histórias de seus familiares vindos do Ceará e registra essas memórias de cada um.

Cine Silva

Exibição de quatro filmes: “Um tanto de um copo”, de Mariana Martins; “Suellen e a Diáspora periférica”, de Renata Dorea; “As Ritas do Brasil”, de Rithyele Dantas; e “Janaina”, de Leticia Silva. 13 de fevereiro, às 19h, na Rua Luís Creozol, nº 3, Nossa Senhora Aparecida. Classificação: Livre