Makoomba: o futuro do baile
Residência artística incentiva movimentação e produção da discotecagem em Juiz de Fora


Amanda Messias fala constantemente sobre abertura de espaços. Ela, Cláudio Ponciano e Igor Pires precisaram disso para fazer com que um projeto de funk fosse possível em Juiz de Fora. Com os nomes artísticos de A Cósmica, Crráudio e Crioulo, eles levantam o Makoomba, um projeto que já nasceu com um objetivo, em 2019: “fazer com que as pessoas negras, LGBTQIA+ e periféricas tivessem um espaço”, diz Amanda. A partir do momento em que isso foi acontecendo, ela começou a perceber que, enquanto eles caminhavam, outros iam juntos, construindo uma cena da periferia que movimenta a cidade em diversos âmbitos, não só nos eventos. Para fazer com que isso continue acontecendo com mais força, eles idealizaram a residência artística “Baile do futuro”, que acontece do último fim de semana de janeiro até o fim de semana dos dias 18 e 19 de fevereiro. As inscrições para participar começam nesta quarta (12) e podem ser feitas até dia 24 pelo formulário disponível na rede social do grupo (@makoombas).
No palco, os três atuam em conjunto. Fora, também. Eles são DJs e são produtores culturais independentes, responsáveis por fazer circular o próprio nome. “A gente foi aprendendo a ser assim, por conta de espaço mesmo. A gente viu que se a gente dependesse de outras pessoas para que o nosso trabalho chegasse, ele não ia chegar da forma como chega hoje em dia, de maneira real”, revela Amanda. A residência, então, vai mostrar um pouco desse trabalho desenvolvido até hoje, com trocas de experiências divididas em oficinas para três grupos: produção cultural, audiovisual e discotecagem. Cada um deles será composto por cinco pessoas selecionadas na inscrição. O foco é ajudar aqueles que já estão nessa área mas, também, quem tem vontade de começar, mas não sabe como.


O “Baile do futuro” foi um dos projetos aprovados no edital “Cultura da/na quebrada”, o primeiro lançado pela Funalfa no ano passado. A residência vai acontecer no Museu Ferroviário, no Centro da cidade. Fazer lá foi uma opção para conseguir reunir pessoas de todas as regiões de Juiz de Fora. Àqueles que não têm condição de pagar o deslocamento, o Makoomba vai ajudar nos custos. O público-alvo é formado por jovens a partir de 16 anos, moradores dos bairros periféricos da cidade, negros ou racializados e LGBTQIAPN+.
Essa é a terceira residência artística promovida pelo Makoomba. A primeira teve como objetivo reunir parceiros que já atuavam com o trio para a construção de um coletivo ativo na cidade. A segunda foi aberta ao público e tinha como base a consolidação do movimento do funk. A terceira quer mostrar, de acordo com Amanda, que, se eles conseguiram fazer e abrir um espaço, é possível construir um baile do futuro, que acolha cada vez mais. Para ela, a descentralização das atividades e recepção de outros artistas, principalmente negros, LGBTQUIA+, da pariferia, como eles, têm acontecido aos poucos. Mas, o mais importante, é mostrar que tudo isso é possível, mesmo que, vez ou outra, com o acúmulo de atuações, o trabalho possa cansar. Ainda assim, agora, no set, eles pelo menos conseguem se divertir – finalmente.










