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Nada no balaio: o Tupi e a CBF


Por Ricardo Miranda

17/03/2012 às 06h00

Foi do Doutor Sócrates a ideia de termos eleições diretas para a presidência da CBF. Agora, com a tardia saída de Ricardo Teixeira, a questão voltou à tona. Os argumentos são robustos. Mas nem precisa ir muito longe. O futebol segue como uma das poucas atividades ainda capazes de mobilizar brasileiros das mais variadas classes sociais. Essa paixão é patrimônio nosso. Mas, de forma mais tangível, o mundo da bola é permeado por dinheiro público. Sem que se mexesse no bolso do contribuinte, não teríamos aqui a Copa de 2014.

Algumas questões, no entanto, permanecem em aberto na nova campanha pelas Diretas. Em toda democracia, os direitos políticos constituem-se basicamente no direito de votar e ser votado. Imagino que, como todo brasileiro se considera um técnico pelo menos melhor do que o Dunga, o mesmo deve acontecer em relação à função de comandante maior do nosso futebol. Com isso, corremos o risco de termos 190 milhões de candidaturas. Usar as federações estaduais como filtros de candidatos seria insistir no erro.

E como seria o financiamento de campanha? A permanecer a lógica do sistema político brasileiro, os mais endinheirados, como Ronaldo, teriam chances maiores de vitória. E se uma emissora de TV apoiasse um candidato? O voto seria obrigatório? Haveria propaganda eleitoral? Talvez pelo modelo político eleitoral ultrapassado ainda em vigor no país, até coisas boas como as eleições diretas para a CBF padecem de desconfiança. Isso, claro, agravado pelo lamaçal que cerca os bastidores do futebol brasileiro.

Talvez seja melhor, pelo menos por ora, fazer valer a lei infringida sistematicamente pelo senhor Ricardo Teixeira. Conforme estatuto da CBF, qualquer clube disputando competições nacionais – segunda, terceira e quarta divisões, além da Copa do Brasil – tem direito de votar na eleição para presidência da entidade. O Tupi pode votar. Atualmente, por medo de retaliações, apenas os 20 da Primeira Divisão exercem o direito do voto, além das 27 federações. Mudar isso já seria um alento para o Doutor Sócrates.