Nada no balaio
Folgado
Aquela história do Brasileiro urdido a partir do estilo aventureiro e trabalhador vai perdendo o sentido com o passar dos tempos. A culpa é de tipos como o Adriano. Sim, é ele, a síntese da turma disposta a contrariar o Sérgio Buarque de Holanda. Vão lembrar-se do Jóbson, Valdiram, Beto Cachaça, Léo Salino… São muitos aqueles que personalizam o tipo folgado. Mas, talvez até pelo momento ou pela cobertura, Adriano pode ser considerado o melhor exemplo da espécie, que tem como principal característica o egoísmo exacerbado.
Em bom futebolês, é o cara que só pensa nele e em mais ninguém. Não há treinador no mundo, nem os bigodudos gaúchos ou os da Baixada de terno, capaz de fazer o sujeito deixar de lado o umbigo. Nem mesmo quando é chamado a olhar para o futuro, o folgado consegue tirar os olhos da região entre a pelve e o peito. Isso quando seu foco não está o tempo todo na parte mais abaixo. Esses casos são mais sérios porque acabam levando à procriação da espécie, o que é terrível.
O atacante Jô, hoje no Atlético, foi acometido pelo vírus do folgado quando estava no Rio Grande Sul, jogando pelo Internacional. Depois de um jogo, ele promoveu uma festinha em sua residência. Chamou alguns amigos, comprou bebidas e convidou um DJ. Já era madrugada quando um vizinho pediu para a turma maneirar. Então, veio o folgado do Jô e pediu ao incomodado para se retirar. No outro dia, por incrível que pareça, ele repetiu a história em uma entrevista, sem nenhum pudor.
Mas ser folgado não é prerrogativa apenas de jogador de futebol. Tudo bem que o meio é farto em bons exemplos. Em Juiz de Fora, a raça tem se alastrado. Basta uma volta pelas ruas para avistarmos um membro da espécie. No meu bairro mesmo tem um. Parece que faz de propósito. Vai chegando o horário do almoço, quando não há espaço para estacionar, ele vai e para seu carro no meio exato de duas vagas. Isso quando não finca o carro em frente a minha garagem. Há aqueles que dirigem nas duas pistas, que falam para o bar inteiro…









