Roer o osso nada no Balaio
Na roça, quando um menino pega quebranto, é necessário levá-lo para tomar água de sete fontes diferentes. Não sei em quantas fontes já levaram o Tupi ou mesmo se pensam em fazê-lo, mas trago aqui um pouco d’água. A fonte é ninguém menos que Tostão. No passado, as estrelas do futebol eram os jogadores. Depois, surgiram os treinadores. Agora, é a época dos investidores e dos marqueteiros. Isso pode ser bom ou ruim. Nenhum dirigente de clube ou da CBF decide nada sem ouvi-los. Nem sempre o que é bom para o time é bom para o clube, pelo olhar comercial e o político. Cada vez mais, futebol é uma feira de negócios.
O Tupi, no mais tardar até a próxima semana, deve fechar parceria com a Traffic Sports, considerada uma das maiores empresas de marketing esportivo do Brasil. A proposta é compartilhar a gestão do departamento de futebol do clube juiz-forano. A empresa colocaria seus jogadores sob contrato para atuar em Santa Terezinha, com uma comissão técnica de três nomes. O modelo não é novidade no futebol brasileiro há algum tempo e, em alguns casos, com até algum sucesso. Pelo o que já foi divulgado até agora, a cogestão do futebol do Tupi seria válida para a disputa do Campeonato Mineiro e da Copa do Brasil. A dolorosa Série D entraria no projeto apenas em um segundo momento.
É aí que mora o perigo. Campeonato Mineiro e Copa do Brasil têm transmissões pela TV e, consequentemente, dinheiro. Não sei como será formatado o contrato, se essa grana vai ficar com a Traffic ou com o Tupi, mas é de bom tom uma cláusula assegurando aquele que comer a carne a obrigatoriedade de roer o osso no segundo semestre. Como bem disse Cloves Santos, vice-presidente de futebol carijó, licenciado, o caminho para o Tupi ser respeitado no Brasil é o Campeonato Brasileiro. Chegar à Série B, para usar uma expressão do dirigente, é como sentar à mesa. Por isso, é bom não se contentar apenas com o primeiro semestre.









