Barrado no baile da burocracia

Abner Soares vai ficar de fora de um dos mais prestigiados torneios internacionais
Um campeão juiz-forano está temporariamente impedido de competir nos Estados Unidos por conta da burocracia. O lutador de jiu-jítsu Abner Soares, 23 anos, da equipe Brazilian Top Team (BTT)/Academia Vida & Saúde, vai ficar de fora de um dos mais prestigiados torneios internacionais, o San Francisco Open, organizado pela International Brazilian Jiu-Jitsu Federation (IBJJF). A competição em solo norte-americano acontece no dia 24 de fevereiro, e o local não poderá estar presente pois teve seu visto negado essa semana.
O atleta, treinado pelo mestre Ricardo Marques, é duas vezes campeão do Mundial de Jiu-Jítsu No-Gi, no qual os lutadores se enfrentam sem quimono. Curiosamente, as duas conquistas de Abner – em 2011, na faixa roxa, e em 2012, na marrom, ambas na divisão dos superpesados – aconteceram nos Estados Unidos, em Long Beach, na Califórnia. Mas nem a documentação, nem os argumentos e nem os títulos do juiz-forano foram capazes de convencer o oficial do Consulado Americano no Rio de Janeiro.
"Levei minhas medalhas e todas as documentações exigidas. Além disso, tinha em mãos cartas da minha faculdade – o Instituto Vianna Júnior – , do Conselho Municipal de Desportos (CMD) de Juiz de Fora, do deputado federal Júlio Delgado, do meu patrocinador oficial – a Vigor Sports -, enfim, diversos documentos provando que sou mesmo um atleta, iria aos Estados Unidos somente para competir e retornaria no prazo estabelecido ao Brasil. Mas não adiantou, vou perder o San Francisco International Open", lamentou Soares.
De novo
Essa já não é a primeira vez que Abner tem o visto negado. Apesar disso, o local, além do ano passado, quando conquistou pela segunda vez o Mundial No-Gi e passou por um período de treinos na academia americana de Anderson Silva, a Black House, chegando a trabalhar com o próprio ídolo das artes marciais mistas (MMA), também já foi outras duas vezes aos Estados Unidos. Sem problemas nessas outras viagens, o local não entende porque mais uma vez sua entrada no país não foi permitida.
"Já fui três vezes para lá e também já tive o visto três vezes negado. Nunca tive nenhum problema com autoridades ou de passaporte quando estava por lá. Sempre retornei antes do tempo em que os vistos anteriores expirariam. Entendo que foi apenas um oficial consular sem sensibilidade que negou e pronto. E a única explicação que eles dão é uma carta, dizendo que ‘todos os aplicantes devem convencer o oficial consular de que se qualificam para o tipo de visto o qual estão solicitando’. Você se sente impotente", desabafou Abner.
Ainda no Rio de Janeiro para um temporada de treinos, a expectativa do lutador local agora é ter outra entrevista agendada em breve e conseguir estar nos Estados Unidos no mês que vem. "Estou passando uma temporada aqui no Rio, treinando na BTT Lagoa (academia do criador do time e uma das lendas brasileiras do MMA, Murilo Bustamante) e eles ficam superchateados com essa historia, pois fico limitado, perdendo uma oportunidade de conquistar títulos e representar nossa equipe e o Brasil lá fora. Esperança eu não sei se tenho ainda para conseguir alguma ajuda para lutar o San Francisco Open. Mas tenho fé que, no máximo no dia 15 de março, estarei lá para competir no Campeonato Pan-Americano de Jiu-Jítsu, do dia 20 a 24 de março, em Irvine, na Califórnia."
Motivos frequentes
Segundo as regras do Consulado Americano, expostas no site oficial da embaixada, a decisão sobre a concessão ou não de visto é exclusiva do oficial consular, após a entrevista com o pretendente. A base mais frequente para negativas para visitantes ou estudantes é a falha em provar vínculos fortes em seu país de origem, como posses, emprego, relações sociais e familiares.
Ainda de acordo com as informações oficias do Consulado, no caso de solicitantes jovens, que ainda não tiveram a oportunidade de formar muitos vínculos, as autoridades consulares americanas podem analisar as intenções específicas do solicitante, sua situação familiar e planos e perspectivas de longo prazo em seu país de residência. A embaixada também se reserva o direito de não justificar pontos específicos nas negativas, e aconselha os pretendentes ao um visto que só voltem a pretender o documento caso sua situações pessoais, profissionais e financeiras "mudem consideravelmente".









