Os pés pelas mãos: Amistosos de araque
Foi uma goleada. A rede balançou seis vezes. Kaká retornou bem à Seleção. Deu passe para gol e também deixou o dele. Oscar deu mais um passo para se firmar com a camisa 10. Paulinho e Ramires formaram uma habilidosa dupla de volantes. Enfim, o Brasil x Iraque de ontem tinha tudo para ser um grande jogo. Mas não foi. Pelo contrário. Disputada em marcha lenta, a partida foi sonolenta.
A verdade é que esses amistosos caça-níqueis contra equipes de quarto escalão são o grande problema gerencial da administração do futebol canarinho. É prejudicial em várias frentes. Uma delas é que faz com que o torcedor se afaste cada vez mais da Seleção. Ninguém aguenta ver partidas tão sem sentido como contra o tal Iraque, ou outros adversários insossos como China e Bósnia Hezergovina.
Outro ponto prejudicial é exatamente o desenvolvimento técnico e coletivo da equipe. Mano Menezes é taxado como inimigo público número 1 entre nove em cada dez brasileiros, mas na verdade não passa de um pobre coitado. Reformular uma Seleção do zero como lhe foi encomendado, estando fora de disputas oficias e enfrentando sparrings de nível mais que duvidoso é uma tarefa hercúlea.
A escalação de Mano no caça-níquel de ontem me agradou. Um 4-4-2 clássico que varia para o popular e repetitivo 4-3-2-1 da moda. Mais do que números, gostei da opção por dois meias de qualidade na saída de bola e chegada ao ataque – Paulinho e Ramires -, e por dois meias capazes de articular as jogadas no meio-campo – Oscar e Kaká. Uma pena que a formação não pôde ser testada, e parece que não será tão cedo pelo tal problema na gerência da CBF, que faz da Seleção um balcão de negócios. Culpar só o treinador é um clichê covarde.









