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Santana desbrava o Cazaquistão


Por RENATO SALLES

16/12/2012 às 07h00

Se perguntados assim, no susto, sobre o que existe no Cazaquistão, muitos ficariam de calças curtas e não saberiam dizer que o país da Ásia Central tem grandes reservas de petróleo, por exemplo. Além disso, é terra de Borat, o repórter fictício criado pelo ator britânico Sacha Baron Cohen, e é também onde o ala juiz-forano Léo Santana vai fazendo sucesso no esporte, atuando pelo Kairat Futsal. Aos 24 anos, o brasileiro coleciona títulos como a Copa do Cazaquistão, conquistada esta semana. O que parece pouco perto do sonho de conquistar a UEFA Futsal Cup, competição na qual o Kairat irá disputar uma vaga na grande decisão contra o temível Barcelona, em duelo que deve acontecer em março.

Em meio a conquistas, o ala que cresceu no Bairro Nossa Senhora das Graças e estudou na Escola Municipal Theodoro Frederico Mussel e na Escola Estadual Sebastião Patrus de Souza lembra sua transferência e a difícil adaptação ao Cazaquistão. O meu atual treinador estava de férias no Brasil para analisar alguns jogadores. Ele me viu atuando pelo Joinville, pela Liga Futsal, e gostou. No começo, a adaptação foi muito complicada. No inverno, o frio é intenso e chega a 20 graus negativos. A língua também é muito difícil. Hoje, já me adaptei, garante o jogador, que está em sua terceira temporada no Cazaquistão, já aprendeu a lidar com o idioma e encara o frio com o bom e velho cafezinho brasileiro.

Se hoje Léo goza de um certo sucesso no futsal asiático, no começo as coisas não foram tão tranquilas. Os primeiros chutes, dribles e gol ocorreram nos famosos golzinhos de praia das ruas da cidade. Foi aí que um treinador, o Tenci, que montava equipes para disputar a Copa Bahamas, me fez o convite para jogar no time do bairro. Depois veio o convite do Sport, onde joguei entre 7 e 8 anos de idade, conta Léo, que revela carinho pelo Verdão da Avenida, onde também chegou a jogar futebol de campo.

A despedida do Periquito coincidiu com a maturidade do jogador na vida e no esporte. Do Sport fui para a AABB Juiz de Fora. Me tornei profissional quando o clube conseguiu recursos por meio de uma lei de incentivo ao esporte. Recebi uma boa proposta e larguei tudo para viver do futsal. Meu melhor momento no Brasil foi pelo Praia Clube (Uberlândia), jogando a Liga Futsal. Foi aí que as portas se abriram para mim.

Cidadão do mundo, Léo fala das saudades da cidade natal e já comemora a visita que fará a Juiz de Fora entre os dias 28 de dezembro e 3 de janeiro. Sinto muita falta da família e dos amigos, do pagode e da comida da minha mãe. Pretendo matar a saudade e comer tudo o que não tem aqui, como pão de queijo e um bom churrasco. A possibilidade de retornar ao futsal brasileiro um dia não está descartada. Hoje, o mercado do futsal está muito amplo no Brasil. Os ‘times de camisa’, como Flamengo, Botafogo, Corinthians e Santos, estão abordando a ideia do futsal.