A meio segundo de Londres
Pode-se dizer que o mês que se inicia hoje será decisivo no ano da nadadora juiz-forana Larissa Martins, de 19 anos – 17 deles vividos nas piscinas. Entre os dias 23 e 28 de abril, a local estará no Rio de Janeiro disputando, pelo Esporte Clube Pinheiros, o Troféu Maria Lenk (o Campeonato Brasileiro Absoluto de Natação) em busca de um sonho: representar o Brasil nas Olimpíadas.
Essa será a primeira das duas chances que ainda restam para a local conseguir índices nas provas das quais é especialista – 100m e 200m livre – para ir aos Jogos Olímpicos de Londres, em julho. A local, que iniciou sua carreira na piscina do Clube Bom Pastor e foi orientada até o final de 2009 pelo técnico juiz-forano Gérson Moreira, também poderá atingir as marcas das quais precisa na Tentativa Olímpica, entre 9 e 12 de maio, novamente no Rio de Janeiro.
Para conseguir um lugar nas piscinas londrinas, Larissa tem que baixar seus melhores tempos. O índice dos 100m é 54s57. Já nos 200m, a marca a ser alcançada é 1min58s20. A local já nadou a prova mais curta em 55s02, e na mais longa, a juiz-forana já conseguiu 2min01s03.
Se depender da vontade de Larissa, seu passaporte vai ganhar o carimbo da Terra da Rainha. "O grande objetivo é estar em Londres. Os meus treinos já estão chegando à reta final e continuo sonhando com as Olimpíadas. É difícil falar se estou longe ou perto de atingir os índices. O que interessa é que estou muito motivada e vou tentar até o último momento uma vaga nos Jogos", garante a nadadora.
Entre as melhores
No último mês, Larissa esteve entra as principais nadadoras do continente na disputa do Campeonato Sul-Americano de Esporte Aquáticos, em Belém, do qual voltou comemorando. Nas cinco provas que participou – três revezamentos e duas individuais – a juiz-forana conquistou três ouros e um bronze. "Considero minha participação no Sul-Americano muito boa. Afinal, fui a única atleta brasileira a participar de três revezamentos, os terminei com 3 ouros (4x100m livre, 4x100m medley e 4x200m livre), além de um bronze nos 200m livre, fazendo 2min01s03 e baixando meu melhor tempo, que era de 2min02s14. Me senti muito cansada nos últimos 15m das provas. Era de se esperar isso devido ao nosso bloco atual de treinamento. Mas fiquei muito feliz com os resultados", avaliou.
Segundo Larissa, o desempenho nos 200m livre superou suas expectativas, mas os 100m livre – única prova na qual nadou e não foi à finais em Belém – não saíram como ela planejou. "Para falar verdade, a prova de 200m livre me surpreendeu muito. Fiz meu melhor tempo em uma competição que não estava polida, ou seja, descansada. Não era a competição alvo. Nos 100m livre errei a prova. Nessa oportunidade, não tive um resultado muito bom. Porém nos revezamentos acabei nadando novamente e melhorei muito meu desempenho", explica.
JF precisa evoluir
Mesmo com a cabeça focada nas Olimpíadas, Larissa não esquece sua terra natal e afirma que a cidade precisa de evolução se quiser segurar talentos como ela nas piscinas locais por mais tempo. "Juiz de Fora precisa evoluir muito. Precisa dar maior apoio aos atletas locais. Seja como patrocínio direto ou como melhoria nas instalações. Porque há vários atletas e treinadores com muito potencial na cidade e que, por falta desse apoio, acabam deixando sonhos como o meu, de participar de uma Olimpíada, de lado", considera.









