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Apesar da queda do número de casos de Covid-19 em JF, transmissão ainda é alta

Falta da segunda dose de Astrazeneca, somadas a diminuição do isolamento social e a presença da variante Delta, preocupam especialistas


Por Tribuna

19/08/2021 às 20h33

Dados da 34ª edição do Boletim Informativo da Covid-19, publicado nesta quinta-feira (18), apontam que, mesmo com a redução do número de casos na cidade, o nível de transmissão permanece elevado. A pesquisa foi desenvolvida com dados epidemiológicos coletados até quarta-feira (18) por integrantes da Plataforma JF Salvando Vidas, sediada na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

De acordo com o pesquisador Marcel Vieira, participante da iniciativa, a situação não é exclusiva de Juiz de Fora, pelo contrário, é observada em todo Brasil. “Ainda há grande circulação do vírus e o nível de transmissão está elevado. Isso não é uma surpresa, uma vez que a cobertura vacinal com duas doses ainda é baixa e a adesão ao isolamento social vem reduzindo ao longo do tempo”.

Dados fornecidos pela Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) mostram que, entre a primeira e a segunda semana de agosto, houve um aumento de 3,1% no número de casos e 1,5% em óbitos no município. Isso porque no início deste mês de agosto, no dia 2, Juiz de Fora registrou 41.662 casos confirmados de Covid-19 e 1.872 vidas perdidas para Covid-19. Como constatado até a última segunda-feira, 16 de agosto, ambos os números evoluíram para 42.944 e 1.900. O boletim ainda afirma que, em relação ao período de 14 dias anteriores, os mesmos índices tinham registrado aumentos de 4% e 1,6%, respectivamente.

Em sua 32ª semana epidemiológica, que corresponde aos dias 8 e 14 de agosto, Juiz de Fora contabilizou 647 novos casos e nove vidas perdidas. Tais dados representam reduções de 1,2% no número de casos confirmados e de 52,6% no número de mortes causadas pelo coronavírus em relação à semana epidemiológica anterior, considerada entre os dias 1º e 7 de agosto.

Mas durante a 32ª semana epidemiológica, o nível de transmissão de Covid-19 em Juiz de Fora foi considerado alto: neste espaço de tempo, a cidade registrou 112,9 casos por cem mil habitantes. Os parâmetros de classificação seguem os critérios do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), a agência do Departamento de Saúde e Serviços Humanos nos Estados Unidos. O órgão classifica o nível de transmissão como alto quando há registro de cem ou mais casos a cada cem mil habitantes; para evoluir para a classificação de risco substancial, é preciso registrar entre 50 e 99,99 casos por cem mil habitantes.

Falta de Astrazeneca é preocupante

Até terça-feira (17), 547.971 doses de vacinas foram aplicadas em Juiz de Fora, sendo 367.654 primeiras doses, 165.621 segundas doses e 14.696 doses únicas. Isso equivale a 64,1% da população que recebeu a primeira dose e 31,5% receberam as duas doses ou a vacina de dose única – levando em consideração a projeção populacional do IBGE para a cidade, que totaliza 573.285 habitantes na cidade.
Isso indica que a cobertura vacinal em Juiz de Fora é superior à nacional, que são, respectivamente 55,7% e 24,4% para primeira dose e segunda dose. “Mesmo com a falta de vacinas da Astrazeneca, constatamos um avanço nos números da vacinação nas últimas duas semanas no município. Este avanço foi possível com a chegada de imunizantes de outros laboratórios. Mesmo assim, o atraso da aplicação das segundas doses das vacinas da Astrazeneca é motivo para preocupação e precisa ser evitado uma vez que sabemos que a proteção máxima é atingida apenas com o recebimento de duas doses”, afirma Vieira.

Flexibilização é arriscada com presença da variante Delta

A partir de dados levantados pelo Google Mobility, a equipe estima que ocorreu uma pequena redução na adesão ao isolamento social em relação a períodos anteriores, de acordo com o percentual de pessoas que têm permanecido em casa, além do aumento de idas aos locais de trabalho e aos parques locais. Essa movimentação, aliada ao maior relaxamento de medidas preventivas e de controle da pandemia, resulta na avaliação dos pesquisadores de que a flexibilização de atividades ainda é uma medida precoce.

“Em um momento em que a circulação do vírus e o nível de transmissão são elevados, e com a cobertura vacinal com duas doses ainda baixas, medidas com maiores flexibilizações seriam muito arriscadas e poderiam levar a impactos nas taxas de ocupação de leitos e no número de vidas perdidas. Além disso, sabe-se que níveis de transmissão elevados favorecem o surgimento de novas variantes do novo coronavírus”, informa Vieira.

“Estudos indicam que a variante Delta já é predominante no Rio de Janeiro, onde já há impactos sérios no sistema de saúde. Essa variante teve efeitos muito graves nos países por ela afetados – como a Índia, os países da Europa, os EUA, entre outros – , impactando, principalmente, populações com baixa cobertura vacinal. Assim, a chegada da variante delta deve ser motivo de preocupação.”