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Sensual e muito, muito atlética


Por GUILHERME ARÊAS

05/02/2012 às 07h00

Embora ainda não reconhecidos oficialmente como modalidade esportiva, os movimentos do pole dance assemelham-se muito a fundamentos básicos de alguns esportes, principalmente as barras fixas, paralelas e assimétricas da ginástica olímpica e os detalhes da ginástica rítmica. Os praticantes dessa dança performática, que mistura força e delicadeza, com um toque de sensualidade, ainda enfrentam o preconceito, uma vez que a barra vertical foi, durante muito tempo, vista como objeto exclusivo de dançarinas eróticas e prostitutas. Popularizar essa modalidade entre pessoas que só querem exercitar o corpo é um desafio. Em Juiz de Fora, algumas mulheres já ultrapassaram essa barreira mental e buscam uma forma de bem-estar físico no pole dance, cujas aulas são oferecidas por algumas academias da cidade.

A professora Gésica Tanin, 25 anos, batalha para que a modalidade seja reconhecida como esporte, o que ajudaria a popularizar a dança no Brasil. Enquanto esse momento não chega, a graduanda em educação física, que também é a única representante da entidade internacional Pole Fitness Association (PFA) em Minas Gerais, difunde a ideologia entre suas alunas de Juiz de Fora e as atletas que treina no Rio de Janeiro.

"O pole dance tem o lado sensual, mas também tem a parte ligada ao fitness, porque trabalha muito os músculos dos membros superiores e inferiores, além do abdômen. Em uma hora e meia praticando, você pode perder até 400 kcal", explica a profissional. "A sensualidade está nos detalhes, na jogada de cabelo e na forma como você desce da barra, por exemplo."

Caminho natural de atividades que almejam o título de modalidade esportiva, o pole dance começa a ganhar as primeiras federações no Brasil, país que ainda engatinha no assunto. Este ano, deve ser realizado aqui a segunda Copa do Mundo. No ano passado, a competição ocorreu no Rio de Janeiro.

Com a profissionalização, surge quem leva a modalidade mais a sério. É o caso da agente penitenciária Regiane Silva Lima Rocha, 29. Ela pratica o pole dance há apenas três meses, mas já pensa em participar de competições. "Por enquanto, estou aprendendo, mas pretendo competir. Eu sempre achei muito bonito o pole dance e realmente comecei a fazer devido ao lado sensual da dança. Mas fui aprendendo que trabalha muito a parte física", diz, garantindo já sentir os efeitos benéficos ao corpo. "Minha principal dificuldade é a força nos braços; é meu ponto fraco."

Gésica Tanin garante que não há idade, sexo ou tipo físico certos para praticar a modalidade, embora as mulheres acima dos 20 anos sejam as principais interessadas nas aulas neste primeiro momento. "O pole dance é muito seguro, pois as chances de lesão são baixas se a pessoa treinar com um profissional capacitado."

 

Da ioga para o circo e em diante

O pole dance se tornou mais conhecido no Brasil em 2007, após o sucesso da personagem Alzira, interpretada pela atriz Flávia Alessandra, na novela "Duas caras", da Rede Globo. Na trama, ela escondia sua verdadeira profissão como dançarina erótica. A modalidade teve várias aplicações desde sua origem, no século XII, como um dos movimentos da ioga, de acordo com as praticantes. De lá para cá, a barra vertical esteve presente em apresentações circenses, burlescas e nas casas de strip-tease.

Nos dias atuais, quando se fala em fitness, há infinitas possibilidades de movimento em torno da barra de aço inox. "Não existe uma receita. Cada dia ,você pode criar um movimento diferente, até porque o pole dance também tem a coreografia no chão, fora da barra. Também não existe uma música específica. Já vi uma performance com tango e foi linda", diz Gésica.

 

Pouca roupa

O uniforme para a prática é mínimo: short e top, pois é fundamental o atrito entre a pele e o metal, evitando quedas. "Por isso não pode usar creme ou óleos no corpo antes de praticar."

Pela internet, já consegue-se comprar as barras verticais e instalar dentro de casa. Dependendo do modelo – fixa, móvel, giratória ou desmontável -, o preço dessa estrutura varia de R$ 500 a R$ 1.500. A professora da modalidade, no entanto, alerta para o risco de praticar o pole dance sem orientações técnicas.