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Os pés pelas mãos: tem coisas que só acontecem com o Léo Rocha


Por Renato Salles

23/03/2012 às 06h00

A máxima rege que existem coisas que só acontecem com o Botafogo. Não há dúvidas. Esta é uma das verdades conceituais mais cristalinas no mundo da bola. O time da Estrela Solitária carrega uma mística capaz de abranger céu e inferno em um átimo de segundo, em sua gloriosa história, ou nos 90 minutos de uma partida qualquer. Foi assim na quarta-feira. Contra a frágil equipe paraibana do Treze, o Alvinegro carioca sofreu para avançar na Copa do Brasil. Foi do inferno à redenção nas penalidades. Coisas de Botafogo. Mesmo assim, apesar do Glorioso ter cumprido à risca sua sina histórica, o protagonista do confronto foi Léo Rocha, meia da equipe nordestina.

Léo teve seu dia de Botafogo. Às avessas. Foi do inferno ao céu na marca da cal. Mas, ao contrário do clube carioca, o gaiato procurou sua sina. Meio louco, quis bater um pênalti à la Loco e decretou a eliminação do Treze. Não sou de fazer juízo de valor ou imaginar pensamentos alheios. Porém, tive a nítida impressão de que o meia pensou apenas no próprio umbigo, nas manchetes dos jornais de quinta-feira, e nas piadas dos tiagos leiferts de plantão. O ‘Loco’ Paraibano. Abreu experimenta do próprio veneno. Manchetes fictícias que devem ter ecoado na cabeça do rapaz, enquanto corria para a bola para utilizar um recurso que é mais firula do que recurso, a cavadinha.

Sob os holofotes do Engenhão e de uma inusitada – e possivelmente incensada – classificação do Treze, Léo se esqueceu de uma outra máxima que rege o mundo da bola. O futebol é a coisa mais importante das coisas menos importantes. Vou além. Durante os 90 minutos, é a coisa mais relevante entre as mais relevantes. Entre a seriedade e o deboche, o meia escolheu a chacota. Esqueceu-se que estava à frente de Jefferson, que honra a camisa de uma das maiores instituições do esporte brasileiro. Com um goleiro de Seleção Brasileira não se brinca.

Léo cavou sua própria cova. O feitiço virou contra o feiticeiro. Ele sim, virou motivo de chacota. Acabou afastado do clube. Perdeu o emprego. Um exagero só compreensível em um país onde os dirigentes são adeptos da caça às bruxas, cortam a cabeça de treinadores e as ostentam como um troféu a cada fracasso coletivo. Que Léo aprenda com o equívoco. E mais do que isso, que ensine. A firula só é bonita quando objetiva, como as dezenas de gols de cobertura do tal de Messi.