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Os pés pelas mãos – A cultura do choro


Por Renato Salles

18/05/2012 às 07h00

É temerária a supervalorização que dirigentes, jogadores e torcedores brasileiros dão à arbitragem. Parece que ela é sempre a culpada pelas derrotas. Tenho a impressão de que se os juízes tivessem sempre exibições incontestes, todos os torneios terminariam empatados. Da mesma forma que o Baianão, caso macumba ganhasse jogo. A polêmica da semana se deu no duelo entre Vasco e Corinthians. O gol anulado de Alecsandro segue contestado por torcedores mesmo depois do tal tira-teima dar seu veredicto. Até aí, tudo bem. O que não entendo é acusar de má fé o bandeira por um lance que permanece duvidoso depois de vários replays. Vendo o jogo, decretei: Impedido! Opa, não está! Ih, está sim! Imagina o assistente que tem um segundo para olhar as mil coisas que acontecem ao mesmo tempo?

O pior é quando a Federação de Futebol do Rio de Janeiro manda os torcedores guardarem o nome do bandeira. Quem deveria propor a esportividade, incita a intolerância. Nossos jogadores estão cada vez mais adeptos do cai-cai, da reclamação. Clubes e torcidas se escondem atrás de questionamentos dos méritos adversários. Reina a cultura do choro. Talvez, por isso, nosso futebol viva momento tão insosso, sem perspectivas de sucesso na próxima Copa.