Reclamações contra telefonia crescem 9%
O juiz-forano está tendo mais problemas com os serviços de telefonia fixa e celular – ou pelo menos reclamando mais os seus direitos. Segundo dados do Procon de Juiz de Fora, o número de queixas relacionadas a cobranças indevidas nesses serviços avançou 9,2% no ano passado e foi o principal fator que puxou o aumento do total de reclamações nesse quesito. Em 2011 foram 2.457, contra 2.250 reclamações no ano anterior.
Ainda com base nos números do órgão de defesa do consumidor, o setor de telefonia foi responsável por mais de 30% do total de reclamações referentes a cobrança indevida, ficando atrás apenas da categoria de assuntos financeiros, que liderou com 4.265 queixas. Ao todo os registros de cobrança indevida que chegaram ao órgão tiveram alta de 1,14%, passando de 7.927 para 8.018.
Segundo o superintendente do Procon, Eduardo Schröder, o formato que as relações entre empresa e consumidor se configuram acabam facilitando esse tipo de prática. As pessoas raramente param para conferir item por item de suas contas telefônicas. A fragilidade é muito grande. O principal problema é a falta de transparência, avalia.
Ainda de acordo com Schröder, entre os principais fatores que lideram as queixas de cobrança indevida na telefonia estão os pacotes de dados (internet 3G), roaming internacional e ligações não realizadas (sobretudo interurbanas). O detalhamento das contas de telefone facilitou muito o acompanhamento, mas ainda há informações que são difíceis de decifrar nas contas.
A estudante universitária Clara Souza levou um susto ao receber a conta de seu celular, que cobrava R$ 70 pelo serviço de internet. Comprei um pacote específico para acesso de 3G e solicitei que a velocidade baixasse após o fim do consumo que contratei. Mas não foi o que aconteceu. E a operadora não me informou que o pacote havia acabado. O professor Ricardo Nogueira também enfrentou problemas com a internet de seu celular. Ele diz ter contratado um plano específico de dados, mas a operadora cobrava o acesso 3G de seus créditos telefônicos. Liguei várias vezes para a operadora, mas eles não conseguiam resolver o problema. A solução foi cancelar o serviço.
Já a estudante Carolina Braga está há três meses reclamando junto à operadora pela cobrança de um pacote de serviço antivírus não solicitado. Ela diz que recebeu três faturas com a cobrança do serviço, no valor de R$ 19,90. A estudante foi três vezes à loja física da operadora para cancelar o serviço, e a informação é de que uma nova fatura será enviada sem o valor indevido. Estou esperando a última conta há 18 dias.
Sindec
O serviço de telefonia celular foi o setor da economia que apresentou o segundo maior número de registros de reclamações nos órgãos públicos integrados ao Sistema Nacional de Informações de Defesa do Consumidor (Sindec) em 2011. Com 122,9 mil registros, os serviços de telefonia móvel ficaram atrás somente do segmento de cartão de crédito, com 141,6 mil queixas. Entre as seis companhias com maior número de reclamações nos órgãos de defesa do consumidor brasileiros, estão quatro de telefonia. A Oi (81,9 mil) está na segunda posição, seguida de Claro/Embratel (70,1 mil), TIM/Intelig (27,1 mil) e Vivo (26 mil).
Consumidor deve procurar Anatel
Brasília (ABr) – O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, aconselha consumidores que tenham problemas com a rede de celular a denunciar as operadoras à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). As empresas têm obrigação de prestar o serviço, não podem descuidar. Multas pesadas poderão ser aplicadas nesses casos, disse ontem após participar do programa Bom Dia, Ministro, produzido pela EBC Serviços em parceria com a Secretaria de Comunicação da Presidência.
Segundo Paulo Bernardo, o maior problema é que algumas operadoras estão oferecendo serviços e barateando preços, mas não estão fazendo os investimentos correspondentes. Vendem um milhão de celulares, mas com infraestrutura para 600 mil, disse. Para tentar reduzir os problemas enfrentados por usuários de diversas operadoras, o Governo deve lançar um plano de incentivo para a construção de redes de telecomunicações. Vamos tirar impostos para a construção dessas redes, exigindo que as empresas façam investimentos, explicou.









