Com nova planta, Mercedes avança em nacionalização
Treze anos após o início das operações em Juiz de Fora, a Mercedes-Benz inaugurou ontem sua nova planta no município, que foi totalmente convertida para a fabricação de caminhões num prazo de 18 meses. Considerada a mais moderna fábrica da montadora alemã, a unidade local recebeu investimentos de R$ 450 milhões e possui capacidade anual de fabricação de 50 mil caminhões dos modelos extrapesado Actros e o leve Accelo. Até dezembro, a estimativa de produção é de 15 mil unidades, sendo 12 mil do Accelo e três mil do Actros. Segundo o presidente da empresa e CEO para América Latina, Jürgen Ziegler, a possibilidade de retomar a fabricação de automóveis não foi descartada. "Tecnicamente temos capacidade para isso, vai depender do mercado. A principal característica da nossa nova unidade é a flexibilidade, por isso estamos produzindo os dois modelos", destacou o executivo.
Com três fornecedores de peças instalados no parque industrial (Maxion, Randon e Seeber), a empresa divulgou que a Grammer, fabricante de bancos para veículos, também já está em operação. As empresas parceiras são fundamentais para a nacionalização dos veículos, segundo o vice-presidente da montadora, Ronald Linsmayer. "As expectativas são de que, até 2014, 72% do Actros seja nacionalizado. Para a conclusão desta proposta, prevemos a ampliação do número de fornecedores", disse sem especificar números.
Cerimônia
A inauguração contou com a presença de diversas autoridades, entre elas o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, o governador Antonio Anastasia e o prefeito Custódio Mattos. "Tivemos nossas expectativas superadas com a apresentação da nova fábrica. A Mercedes ultrapassou o patamar de uma empresa de veículos para se tornar um legado de tecnologia e inovação", destacou Anastasia.
Para o ministro, "a decisão da Mercedes (de fabricar os caminhões) representa uma oportunidade de crescimento para o município e para todo o país." O prefeito divulgou que, de 2014 a 2021, a montadora será responsável pelo repasse de R$ 125,5 milhões em ICMS para o município. Segundo Custódio, o cálculo foi feito tendo como base o valor dos caminhões e a previsão de produção de 75% da capacidade instalada. A Prefeitura concederá isenção de ISS num total de R$ 2,7 milhões. "Acredito que Juiz de Fora irá readquirir a confiança no seu crescimento. Deixaremos as manchetes pessimistas para uma retomada, relembrando os tempos da Manchester Mineira", disse o prefeito.
Projeção
A Mercedes foi inaugurada em abril de 1999 inicialmente para a produção do Classe A e, em 2007, iniciou a fabricação do Classe C. Desde janeiro deste ano, com a inversão da planta, a fábrica já produziu três mil caminhões, média diária de 52 veículos. Para cada veículo fabricado, segundo a direção da empresa, há uma redução de 5% a 7% do consumo de energia, 10% do consumo de água e de 20% a 25% de resíduos sólidos em comparação com os produzidos em São Bernardo do Campo.
Atualmente, 900 colaboradores atuam na fábrica, que ocupa 2,8 milhões de metros quadrados, às margens da BR-040, no Distrito Industrial, sendo 167 mil metros quadrados destinados à área de produção. "Com o aumento do número de caminhões fabricados, o que acontecerá a longo prazo, o quadro de funcionários também será ampliado", afirmou Linsmayer.
Ele lembrou que, desde 2004, a produção da Mercedes no país vem aumentando de forma constante. "Em 2011, foram 80 mil veículos, o dobro se comparado às duas últimas décadas. Por isso, sentimos a necessidade de expandir nossos negócios. Acreditamos que no segundo semestre, com as medidas do Governo e a redução dos juros, o cenário estará ainda mais favorável."









