A política continua
As ações da área da saúde estão em pleno curso, mas a política atua paralelamente no debate que se desenvolve na análise das propostas, sobretudo econômicas, dos legislativos
As ações das instâncias de poder são necessárias e vão continuar por um bom tempo, pois o pico do coronavírus ainda não ocorreu no Brasil, mas várias ações paralelas estão em curso, em plena dependência da política. O Governo federal, por meio de medidas provisórias, tem uma agenda que precisa ser aprovada pelo Congresso. Em Juiz de Fora, num esforço concentrado, a Câmara deu aval às mensagens do Executivo, enquanto na Assembleia, também em tempo recorde, os deputados aprovaram o pedido de emergência defendido pela administração estadual.
Em entrevista coletiva na manhã de ontem, da qual o Grupo Solar, por meio da Rádio CBN, participou, o presidente da Assembleia, Agostinho Patrus, anunciou uma série de eventos para combater a Covid-19, mas, em certo ponto da entrevista, advertiu que os deputados não irão dar carta branca integral ao governador Romeu Zema, sobretudo em questões que consideram fora do pacote de prioridades. Ele se referia à reforma da Previdência dos servidores de Minas e à venda de ativos como a Cemig e a Copasa. Tais matérias, lembrou, não carecem de urgência.
O Governo tem outro entendimento por considerar que, enquanto não fizer a reforma e se desfizer das duas empresas, terá sérios problemas para cumprir as suas metas, entre elas a folha de pagamento dos servidores. O governador tem dito com frequência que a saúde de Minas, a despeito da melhora, continua na unidade de terapia intensiva. Terá que remar contra a maré, pois a Assembleia, mesmo sendo um ano de eleições de cunho municipal – os deputados só entram em pauta em 2022 -, não costuma entrar em bola dividida, e o entendimento dos parlamentares é de que os dois projetos são indigestos para os mineiros.
Sem previsão, o fim do ciclo do coronavírus será o vetor para tais discussões, pois ninguém, em qualquer parte do mundo, sabe em que situação a economia se encontrará após a crise. Conceitos econômicos estão sendo deixados à parte em nome da causa comum de enfrentamento à doença. Por isso, falar em determinados temas, agora, deixou de ser prioridade, mesmo diante de sua importância.
O governador está correto em buscar soluções para a frágil economia do Estado, mas peca pelo timing. Abordar projetos fora da agenda da pandemia é incorrer em risco de vê-los rejeitados, o que seria ruim para seus projetos de colocar Minas nos trilhos, como falou incansavelmente na campanha de 2018.









