Ouça agora

Criação de emprego na cidade cai 7,25% em 2011


Por Flávia Lopes

25/01/2012 às 07h00

635738854

Apesar de ter registrado crescimento em diversos meses ao longo do ano, o saldo de empregos com carteira assinada em Juiz de Fora fechou 2011 com queda de 7,25% na comparação com o ano anterior. Foram criadas 6.283 novas vagas ano passado, contra 6.774 em 2010. Números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), divulgados ontem, revelam ainda que a cidade teve o oitavo pior resultado de Minas Gerais para o mês de dezembro entre os cem municípios com mais de 30 mil habitantes. Foram fechados 556 postos formais no mês, em Juiz de Fora. O pior resultado ficou com Belo Horizonte, que perdeu 10.879 vagas. O melhor resultado para o mês ficou com Governador Valadares, que criou 225 novas oportunidades com carteira assinada.

No ano, o resultado local, apesar da queda, foi superior ao registrado em Minas Gerais, que teve um saldo 30,75% menor que o do ano anterior e que o do Brasil, que criou 23,5% de vagas a menos que em 2010. O principal setor que impactou na redução em Juiz de Fora foi o da construção civil, que perdeu 458 vagas formais(ver quadro). Já o setor de serviços continuou na posição de liderança, comprovando uma das principais vocações econômicas do município, com a criação de 5.745 vagas.

A chegada de novas empresas de telemarketing e a expansão dos projetos das já instaladas foram os principais fatores que estimularam o crescimento no setor. Foram criadas 787 vagas para o cargo de operador de telemarketing ativo e receptivo. Com segundo maior saldo de serviços está o posto de auxiliar de escritório, com 507 novas vagas. O de faxineiro segue na terceira colocação, com 390 vagas.

Em relação à queda de vagas registradas na construção civil, o presidente do Sindicato das Indústrias de Construção Civil (Sinduscon), Leomar Delgado, avalia que o crescimento pode estar relacionado ao número de trabalhadores que estão buscando o seguro desemprego. "Vemos frequentemente pessoas que deixam de trabalhar para empresas e ficam com o seguro desemprego, atuando na informalidade, em obras particulares." Ainda conforme Delgado, a falta de mão de obra continua sendo um grande gargalo para a ampliação do volume de obras em Juiz de Fora. "O setor ainda está aquecido, e muitos projetos acabam ficando menores por conta da dificuldade de contratar pessoal." Segundo ele, as perspectivas para o ano são boas, com a segunda fase do programa "Minha Casa, Minha Vida", que terá investimentos de R$ 164,7 milhões.

Na segunda colocação entre os principais criadores de oportunidades de trabalho, o comércio teve uma queda de 30,7% no saldo de empregos em 2011, na comparação com o ano anterior. Foram criadas 1.092 oportunidades de trabalho no último ano, contra 1.576 em 2010. No mês de dezembro, o setor foi responsável pela abertura de 184 novas vagas (no ano passado, foram 386).

Avaliação

Na avaliação do superintendente do Sindicato do Comércio (Sindicomércio), Sergio Costa, a redução já era esperada pelo setor, que viveu grande retração no primeiro semestre de 2011. "A crise no mundo e o aumento de endividamento deixaram as pessoas mais temerosas, e o consumo caiu." Ainda segundo ele, a falta de profissionais qualificados também afetou as contratações, sobretudo as de final de ano.

Na indústria, que fechou dezembro com saldo negativo de 430 vagas e o ano também com saldo negativo (-102 vagas), o presidente da Fiemg Regional Zona da Mata, Francisco Campolina, avaliou que o setor cresceu abaixo do que se esperava em 2011. "Há projetos para Juiz de Fora que ainda não foram concretizados. Juiz de Fora vem se firmando cada dia mais como uma cidade de serviços e de comércio. Não vamos conseguir reverter em pouco tempo o processo de desindustrialização que a cidade sofreu nos últimos oito anos." Ainda segundo Campolina, o grande volume de demissões em dezembro está relacionado à revisão dos projetos das empresas. "Nesse período as fábricas fazem seu planejamento e remodelam o seu parque industrial."

 

 

País perdeu 408.172 vagas em dezembroBrasília (AE) – O aumento dos juros e a adoção de medidas para travar o crédito, adotadas no início de 2011, tiveram um efeito retardado sobre o mercado de trabalho formal, fazendo com que o setor perdesse o ritmo de crescimento ao final do primeiro ano do Governo Dilma Rousseff. Além disso, a piora da crise mundial contribuiu para que o país não chegasse nem a 2 milhões de novas vagas e atingiu em cheio setores vulneráveis ao comércio externo, como calçados e têxteis. No ano passado, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), foram criados 1,944 milhão de empregos, o que representa uma redução de 23,5% em relação à criação recorde de vagas vista em 2010, um total de 2,543 milhões de postos com carteira assinada. Mesmo assim, 2011 é o segundo melhor resultado da história. A desaceleração da abertura de postos foi generalizada em todas as regiões brasileiras, assim como em todos os setores de atividade na comparação com 2010. O baque mesmo foi sentido no setor de confecções, que, ao longo do ano, mais demitiu do que contratou funcionários. O Governo já se deu conta do problema e prometeu lançar medidas que incentivem especificamente o setor.