Economia – 26-04-2012
Os médicos que atendem a planos de saúde na cidade podem paralisar as atividades em julho caso não exista abertura de negociação com as operadoras sobre o reajuste dos honorários ainda no primeiro semestre. Esta foi a possibilidade cogitada ontem pelo presidente do Sindicato dos Médicos de Juiz de Fora, Gilson Salomão, durante ato que marcou o Dia Nacional de Advertência aos Planos de Saúde.
Apesar da orientação do sindicato de não interromper os atendimentos ontem, o delegado do Conselho Regional de Medicina (CRM) em Juiz de Fora e Zona da Mata, José Nalon de Queiroz, considerou que alguns profissionais tenham remanejado a agenda na cidade em função da mobilização nacional. Procurados, Plasc e Unimed afirmaram que não houve queixa de usuários.
Com cartões amarelos em punho, médicos se reuniram, pela manhã, na sede da Sociedade de Medicina e Cirurgia. De acordo com o Sindicato dos Médicos, cerca de 1.500 profissionais são credenciados a planos e atendem a, pelo menos, 150 mil pessoas na cidade. Segundo Gilson, o valor médio pago por consulta varia entre R$ 34 e R$ 50 e está muito aquém do pleiteado (R$ 80).
Segundo o presidente da Associação Médica, Elídio Lana, R$ 50 é o valor bruto pago por algumas operadoras. Com os descontos, o lucro líquido chega a R$ 15. Para conseguir renda líquida de R$ 2 mil é preciso realizar mais de 130 consultas, avalia. Por este motivo, diz, profissionais têm perdido o interesse em especialidades baseadas em atendimento clínico, como pediatria.
De acordo com Gilson Salomão, as operadoras aplicaram, nos últimos 12 anos, reajuste de 150% e só repassaram 50% aos médicos. As perdas acumuladas, segundo ele, datam de 2003. A categoria reivindica, ainda, a definição de data-base para atualização dos valores, o credenciamento não unilateral e o fim da interferência antiética na atuação profissional, com a recusa na liberação dos procedimentos não justificada.
O delegado regional do CRM considerou a ação de advertência. Ele destacou a necessidade de seguir a Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM), atualizada anualmente, para corrigir as distorções. Para Nalon, desta forma, é possível evitar agendas superlotadas e melhorar a qualidade do serviço prestado à população.
No restante do país, médicos interromperam, por 24 horas, consultas e outros procedimentos eletivos em dez estados, inclusive Minas Gerais. Ontem, a situação entre médicos e convênios foi tema de audiência pública realizada na Assembléia Legislativa, em Belo Horizonte.









