A vez de Mozart e Krommer no festival de Música Antiga
Harmoniemusik interpreta obras de Mozart e Franz Krommer no Teatro Paschoal Carlos Magno, neste sábado (27)
Pela primeira vez, Juiz de Fora recebe o concerto Harmoniemusik, que irá interpretar obras de Mozart e Franz Krommer, no Teatro Paschoal Carlos Magno, neste sábado (27). A apresentação é uma chance de ouvir uma formação de instrumentos de sopro considerados raros no país, com pares de oboés, fagotes, clarinetes e trompas históricos, réplicas de instrumentos do século XVIII. O evento faz parte do penúltimo dia da programação do 30º Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga.
Fundado em 2001, o grupo reúne músicos apaixonados por repertório “harmoniemusik”, voltados para instrumentos de sopro, escritos no século XVIII. Antigamente, essa formação costumava se apresentar de forma independente e só no século XVIII se uniu à orquestra, formando a orquestra clássica conhecida hoje, com seção de madeiras, metais e cordas. Nesse contexto, os instrumentos de sopro amplificam e aumentam as possibilidades de colorido sonoro das cordas. Atualmente, o grupo Harmoniemusik é formado por oito artistas vindos de São Paulo, Bahia e Argentina, e é considerado o primeiro do gênero na América Latina. Se apresentam os artistas Victor Astorga e Antonia Sanchez (oboés), Mônica Lucas e Luciano Pereira (clarinetes), Celso Benedito e Matheus Silva (trompas), Luís Ramoska e Letícia Zucherino (fagotes).

Na apresentação deste sábado, os músicos desempenham arranjos originais do início do século XIX. O primeiro deles é “Serenata em dó menor, K 388” (1782), de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791). “O Mozart é um autor referencial e talvez o principal do final do século XVIII, e tem, inclusive, três harmoniemusik incríveis. A ‘Serenata em dó menor’ conversa diretamente com o ‘Concerto dó menor do dia seguinte’, que é interpretado no piano, e é curioso pensar que são peças próximas na data de composição”, explica a clarinetista Mônica Lucas.
O programa segue com a interpretação de “Partita em fá maior, op. 57” (1806), de Franz Krommer (1759-1831), compositor pouco conhecido no mundo orquestral. “Foi um autor muito importante no século XVIII, circulando junto com Mozart, entre as principais famílias da nobresa austríaca, teve muitas composições editadas e era importante na época, porém hoje já não é mais conhecido. Ele escreveu muitas coisas para harmoniemusik, sabe escrever ideomaticamente para os instrumentos, ele conhecia eles como ninguém, provavelmente até tocando, ao contrário do Mozart, que tocava piano e viola, mas até onde me consta nunca tocou instrumentos de sopro”, contextualiza a musicista.
O concerto se encerra com a “A Flauta Mágica” (arranjos de Ch.Stumpf, c. 1800), também de Mozart. Uma referência da época que atravessou séculos e se mantém famosa até hoje. “Naquela época não havia rádio, e a gente pensa: quem ouviu ‘A Flauta Mágica’, que foi tocada dezenas de vezes em um teatro de periferia em Viena? E como a peça ficou tão famosa? Foi graças aos milhares de arranjos que foram feitos dela. E o harmoniemusik por excelência toca essas músicas da época.”
No domingo (28), os espectadores terão a oportunidade de ouvir os músicos de Harmoniemusik inseridos no contexto de uma orquestra, na apresentação de encerramento do festival, feita pelo Conjunto de Música Antiga da USP.
Harmoniemusik
27 de julho, às 20h, no Teatro Paschoal Carlos Magno (Rua Gilberto de Alencar s/nº, Centro). O concerto será precedido de palestra ministrada pelo Prof. Rodolfo Valverde (UFJF), com início às 19h, no local da apresentação. Entrada franca. Os convites serão distribuídos no Centro Cultural Pró-Música no dia da apresentação, até às 18h. Há limite de quatro convites por pessoa.









