Músico juiz-forano Fred Fonseca faz primeira apresentação autoral solo no Mamm
Juiz-forano apresenta seu trabalho autoral “Não é nada disso que você está pensando” nesta quinta-feira, mesclando gêneros e influências de várias artes

O Museu de Arte Murilo Mendes (Mamm) será o palco da estreia do músico Fred Fonseca, que apresenta seu trabalho autoral ‘Não é nada disso que você está pensando’ nesta quinta-feira (4), às 20h. O multi-instrumentista realiza apresentação solo, envolvendo samples, sintetizadores, violão, lapsteel feito de skate e ukulelê em um só espetáculo. Buscando o inusitado, ele traz para o público uma apresentação dinâmica, explorando também os talentos de ator e escritor.
“Tento propor o inusitado, porque hoje em dia isso é cotidiano para nós. E nesse tempo em que vivemos nada é o que parece, tudo se desfaz com uma notícia ou uma mudança. Tenho algumas músicas que dialogam com esse contexto de gerar uma expectativa e concluir em caminhos diferentes. A ideia é justamente contextualizar e frustrar um pouco, sugerindo questões. Não quero que as pessoas saiam com respostas desse show, quero que saiam com mais perguntas”, destaca o músico juiz-forano, que realiza seu primeiro show autoral solo aos 33 anos de idade.
Misturando vários gêneros, Fred criou uma identidade própria que ajuda a contar histórias ao longo do show. É possível escutar do samba ao rock e até tango, por exemplo. Ele também mostra sua experiência com diversas artes. “A música me levou a outras artes, e as artes me levaram a querer colocá-las na música. Tenho um cuidado muito grande com a cena, o que remete ao teatro, tem também poesia na contextualização dos temas, a dança, as expressões em si. O que eu busco às vezes é pensar além da música, trabalhar o canto-autor. Quanto mais puder contextualizar o que a música traz, melhor, pois as pessoas perdem a atenção muito rápido hoje em dia”, comenta.
Através das canções autorais, o artista leva ao público reflexões sobre os relacionamentos. Para ele, o maior atrativo da reflexão é a ideia do absurdo, o humor ácido e a condução inusitada do nonsense que busca explorar em seu trabalho. “O ‘Samba da perda’ fala das perdas que temos na vida. Outra música, que fiz com Kadu Mauad, é sobre três pessoas: Eu, Iaiá e Ieiê. É uma música só com vogais que se chama ‘O auê’. ‘Vou te trocar’ aborda a necessidade que o ser humano tem de trocar as coisas. É uma reflexão sobre os relacionamentos, que acho que se dividem de duas formas, os que pagam e os que não pagam boletos. Porque no fundo, todas as relações são de interesse, e o que difere é se envolvem dinheiro ou não”, reflete.
Migrante nas artes
Com uma trajetória de quase 20 anos na música, Fred começou nas artes ainda na adolescência, aos 14 anos. Desde então, ele já se apresentou em bares, integrou grupos sertanejos e coral, e participou do Trio de Janeiro, trio de forró, por cerca de uma década. Atualmente Fred reside em Ibitipoca, onde mantém um estúdio e compõe trilhas sonoras para peças e curtas-metragens. Alguns de seus trabalhos estão na peça “Terra sem acalanto” (2018), da Companhia Sala de Giz, e do curta “Mobile haikai” (2017), de Lilian Werneck. Ele também viajou pela América Latina, onde se inspirou, e chegou a desenvolver na Colômbia uma série de vídeos com grupo de dança e com a videasta francesa Celine Billard.









