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Vereadores cancelam votação de mensagens


Por Táscia Souza e Renato Salles

06/05/2011 às 07h00

Ao contrário de outras unidades, Policlínica de Benfica registrou grande demanda

Ao contrário de outras unidades, Policlínica de Benfica registrou grande demanda

Não foi necessária qualquer manobra regimental para obstruir a votação das três mensagens do Executivo, em tramitação na Câmara, que estabelecem critérios para plantão nas unidades de urgência e emergência, flexibilizam a jornada de trabalho da classe médica e criam a atividade de médico de sobreaviso/diarista nos quadros da Prefeitura. Sem qualquer interferência das lideranças governistas, os parlamentares José Tarcísio Furtado (PTC) e José Fiorilo (PDT) conseguiram, com concordância do presidente da Casa, Carlos Bonifácio (PRB), cancelar as três reuniões extraordinárias previstas para ontem. O apelo para adiar a votação havia sido feito pelos médicos aos vereadores da bancada de saúde na última quarta-feira, na assembleia da categoria, quando foi decidida a continuidade da greve por tempo indeterminado. Com isso, a apreciação das mensagens ainda não tem data para ocorrer e vai depender do andamento das negociações salariais entre o Sindicato dos Médicos e a PJF na próxima semana.

O secretário municipal de Saúde, Cláudio Reiff, disse que cancelamento da votação lhe causou "estranheza e perplexidade" . "As mensagens visam a proteger os próprios médicos, inclusive legalizando a situação de carreiras não previstas em lei municipal, como a do médico de sobreaviso e diarista", considerou. Sobre a continuidade da greve, o secretário frisou que a Administração reconhece a pertinência das reivindicações da classe. "A Prefeitura lamenta a desassistência, principalmente no PAM-Marechal, onde 700 consultas estão sendo deixadas de ser feitas por dia. Mas reconhecemos a legitimidade da greve. Os médicos são uma das poucas categorias, se não a única, com salário defasado no município." Reiff ressaltou, porém, que o Executivo já está tomando medidas para melhorar a situação. "Ontem (quarta-feira) o prefeito já fez uma proposta para a atenção primária de elevação do piso da Estratégia Saúde da Família de R$ 5.600 para R$ 7.500. E há ainda a proposta de criação de uma nova carreira, que eleva o salário-base e estabelece uma progressão menor ao longo dos anos."

A necessidade de legalizar a situação dos médicos de sobreaviso foi reiterada na última assembleia pelo próprio presidente do Sindicato dos Médicos, Gilson Salomão. "É importante regularizar porque já temos 37 colegas processados no HPS porque isso não é legalizado." Ele enfatizou, entretanto, que o movimento não aceita a remuneração de R$ 1.900 estabelecida na proposta suspensa na Câmara. "Já negociamos com a Prefeitura, e o valor será de R$ 2.400." Há outro ponto da mensagem que também não é consensual: a exigência de ponto biométrico e o cumprimento de quatro horas presenciais durante o sobreaviso. "O médico vai lá, cumpre quatro horas… Mas e se ele for chamado depois e tiver que ficar cinco horas numa cirurgia?", questionou José Tarcísio, que estuda a apresentação de uma emenda suprimindo a biometria. Ontem, contudo, o Ministério Público Estadual (MPE) divulgou nota rechaçando a reivindicação do fim do registro de frequência. "A implementação do sistema biométrico decorreu da busca incondicional pela moralidade administrativa e eficiência dos serviços públicos de saúde prestados pela Prefeitura", justifica o documento, afirmando que "qualquer tentativa e afastamento ou burla de tal obrigação será prontamente combatida através das vias legais".

 

Usuários desistem de atendimento

Desde o início da semana, quando a greve dos médicos da PJF teve início, o atendimento nas unidades de saúde segue o mesmo padrão. A categoria está realizando apenas os atendimentos de urgência, emergência e dos pacientes encaminhados pelo Samu. Ontem, no quarto dia de greve, com a contingência de casos mais simples, através de triagens, o movimento de usuários à procura de assistência clínica e hospitalar ficou abaixo do normal. Para a diretora geral da Regional Leste, Adriana Fagundes, a queda acontece por conta da ampla divulgação da paralisação. "Continuamos funcionando normalmente, mas os atendimentos dependem dos médicos. Hoje, o movimento foi menor que o normal." Ao chegar na unidade, o usuário era informado de que, por conta de greve, os médicos estavam atendendo três pacientes a cada hora, e a espera poderia ser longa.

No HPS, segundo a assessoria, o funcionamento foi normal, já que o perfil de atendimento da unidade são exatamente a urgência e a emergência, que foram mantidas pelos grevistas. Entretanto, com dores nas costas, a dona de casa Vanilda Fernandes da Rocha afirmou que os reflexos da paralisação também são sentidos por aqueles que procuram a unidade. "Estava internada desde ontem (hoje). Fui liberada para ir para casa, pois não tem especialista para atender o meu caso aqui ou em outro lugar. Tenho o pulmão operado e estou sentindo muitas dores próximo ao local."

Alternativa

Enquanto algumas unidades registraram movimento abaixo do normal, em outras a demanda aumentou. Na Policlínica de Benfica, Zona Norte, a procura tem sido maior nos últimos dias. Com equipe terceirizada, a instituição se tornou alternativa para quem não conseguiu ser atendido em outro local. Com sintomas de pressão alta, o pedreiro Eneias Calado, 60, reclamou da longa espera. "Está bem mais cheio que o de costume e temos que aguardar mais tempo pelo atendimento."

No PAM Marechal, Centro, a informação foi de que os serviços estavam praticamente parados. A Secretaria de Saúde reforça que os serviços que independem da classe médica, como vacinação e troca de curativos, funcionam normalmente.