Professores da UFJF param hoje e amanhã
Os professores da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) cruzam os braços hoje e amanhã em protesto contra a proposta do Governo federal de reajuste salarial de 4% apenas a partir de julho de 2012. O movimento segue orientações do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN) e atinge também outras instituições do país. Como o último reajuste dos docentes das Instituições Federais de Ensino (IFE) é de julho de 2010, a categoria considera os termos negociados até o momento como tentativa de congelamento salarial neste ano. Quanto ao percentual proposto para o próximo ano, o entendimento dos dirigentes da Andes-SN é de que não contemplará sequer o índice inflacionário acumulado nestes dois anos, que deve chegar a 13%.
Na última sexta-feira, representantes do Governo federal reunidos com dirigentes da Andes-SN e do Fórum de Professores das Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes) discutiram proposta final apresentada pelo secretário da Educação Superior do Ministério da Educação (MEC), Luiz Cláudio Costa. Segundo ele, o Executivo consegue excepcionalmente, num esforço do Ministério do Planejamento, antecipar para março a vigência do acordo previsto anteriormente para julho de 2012. O secretário ressaltou ainda que a medida gera certo constrangimento, pois não será possível estender tal proposta às demais categorias do serviço público federal. As entidades ficaram de apresentar um resposta ao Governo na próxima quinta-feira.
Antes, na quarta-feira, os docentes fazem assembleia em Juiz de Fora. Os professores da UFJF aprovaram indicativo de greve para o dia 1º de setembro. Se decidirem mesmo paralisar as atividades por tempo indeterminado, vão se juntar às demais redes de ensino, de braços cruzados em defesa do piso nacional. Os professores estaduais, em greve há mais de 70 dias, fazem nova assembleia amanhã, em Belo Horizonte, para definir os rumos do movimento. Já hoje, representantes do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE) em Juiz de Fora ocupam a tribuna livre da Câmara para falar sobre a indignação dos educadores. Ainda nesta terça-feira, os professores municipais, parados desde o dia 16, fazem mais uma assembleia, às 14h, no Pró-Música. Pela amanhã, os servidores participam de uma rodada de negociações com a Prefeitura.
Recuo político na Câmara
Politicamente, a greve dos professores municipais é a que mais afeta a cidade e, por isso mesmo, a base governista – que tinha inclusive demonstrado apoios aos docentes na audiência pública realizada na última quinta-feira – deu mostras de recuo na tarde de ontem. O assunto veio à baila no pronunciamento de Júlio Gasparette (PMDB), que citou a nota publicada pela Prefeitura na Tribuna do último domingo, reproduzindo a mensagem que já havia sido enviada às escolas e à própria Câmara. No entanto, o peemedebista, assim como o vereador José Emanuel de Oliveira (PSC), tratou os argumentos como novidade. "A matéria (paga) da Prefeitura diz que já cumpre o piso nacional. Fiquei no ar. Ou acreditamos nos professores ou na matéria", discursou Gasparette. "Sou a favor de tirarmos uma comissão para buscar dentro da legalidade o que deve ser cumprido." Já José Emanuel diminuiu a responsabilidade do Legislativo sobre a questão. "Vereador não é incumbido de negociar salário."
Como o conteúdo da nota publicada no jornal é exatamente o mesmo do ofício encaminhado à Câmara pela PJF na semana passada, isso acendeu, nos bastidores, o rumor de que a base foi enquadrada pelo Executivo. Diante das considerações, o vereador Roberto Cupolillo (Betão, PT), coordenador-geral do Sindicato dos Professores (Sinpro), voltou a explicar as diferenças de interpretação em relação à lei do piso e reiterou seu argumento de o Governo não cumprir a destinação de um terço da jornada para atividade extraclasse. "Se a Prefeitura diz que cumpre a lei na questão do piso, não cumpre na questão do terço da jornada." Ainda assim, o vereador Rodrigo Mattos (PSDB) criticou a deflagração da greve. "A greve deveria ser o último instrumento de negociação. É extremamente prejudicial aos alunos e às famílias."








