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Com só um ano no esporte, juiz-forana já disputa Pan-Americano

Aos 22 anos, a estudante de arquitetura Juliana Borges se prepara para estrear nos jogos na categoria bikini fitness


Por Fabiane Almeida, estagiária sob supervisão da editora Carla da Hora

16/02/2019 às 17h05- Atualizada 18/02/2019 às 09h09

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(Fotos: Marcelo Ribeiro)

Depois de um ano recheado de conquistas, Juliana Borges, 22 anos, estudante de arquitetura, inicia 2019 com foco na sua estreia nos Jogos Pan-Americanos, que acontecerão entre 26 de julho e 11 de agosto, em Lima, no Peru. A classificação veio após sua sétima medalha seguida no fisiculturismo: o bronze nos jogos classificatórios na Guatemala, em novembro de 2018, pela categoria bikini fitness. Ainda com uma trajetória tão curta na modalidade, a atleta revela chances de um futuro promissor, fruto de uma rotina regrada e com a vantagem de um físico favorável.

O interesse pelo esporte vem de longe. Aos 10 anos, a juiz-forana foi atraída pelo atletismo e competiu provas de 100m, 200m e 400m em campeonatos brasileiros, estaduais e municipais, quando morava em Campo Grande (MS). Foi após retornar a Juiz de Fora para cursar arquitetura e urbanismo que a atleta se envolveu com o fisiculturismo, uma modalidade que ainda desconhecia.

“Eu gosto de me desafiar, mas eu ia para a academia e não tinha objetivo. De tanto algumas pessoas falarem do fisiculturismo, e por conta do meu corpo ter ganhado maturidade muscular com o atletismo, muita gente me incentivou na nova modalidade. Eu comecei a treinar para competir no início de 2018, em janeiro, e veio uma leva de competições”, conta. Desde o início da carreira já foram quatro medalhas de ouro, uma prata e dois bronzes. Entre eles está o título nos Campeonatos Mineiro e Brasileiro, além do bronze no torneio Sul-Americano realizado em Assunção, no Paraguai.

Para ela, o destaque na modalidade foi uma surpresa: “Eu imaginava participar de uma competição só para ver o que era, mas peguei paixão”, comenta. Para o treinador Bruno Roberto Marinho a explicação para tantas conquistas tem a ver sobretudo com a genética e, desde que foi procurado pela atleta para orientar seus treinamentos, ele precisou fazer apenas alguns ajustes nos exercícios para valorizar as formas da atleta. “Ela tem a estrutura morfológica adequada para a categoria, é uma típica ectomorfa.

A categoria bikini é caracterizada por atletas mais magras, então tive que fazer uma adaptação do treinamento. Tivemos que treinar bastante glúteo, além disso ela não pode ficar com o volume das pernas muito desenvolvido, nem com espaço muscular. Tenho que deixar a musculatura com menos marcação, a linha de cintura fina e ela precisa ficar com as costas em formato mais largo”, explica.

“Eu imaginava participar de uma competição só para ver o que era, mas peguei paixão”

Talento nato

 

Na rotina da fisiculturista, o treinamento varia de acordo com o objetivo do dia, com treinos superiores, inferiores e exercícios aeróbicos. “Na minha categoria, quando chega mais próximo do campeonato, demanda que eu faça pelo menos trinta minutos de aeróbica todos os dias. É importante que eu mantenha a simetria, a proporção do corpo, que é avaliado para ter uma colocação boa de todos os árbitros”, explica Juliana.

esp fisiculturista2Após a competição na Guatemala, Juliana entrou em um período de descanso no fim do ano passado e agora foca na preparação para os jogos Pan Americanos. “Tem que olhar para as concorrentes para estabelecer uma estratégia e fazer a preparação. Em algumas competições é preciso chegar com mais ou menos volume, mas vamos definir quanto tiver as informações sobre as adversárias”, explica o treinador Bruno Marinho. Segundo ele, o treinamento para os jogos deverá manter a linha já trabalhada.

Para o treinador, Juliana tem tudo para alcançar um futuro promissor que só exige mais tempo de adaptação para chegar ao seu auge. “Ela está provando desde nova que tem um talento nato para o esporte. Ela tem um grande potencial, o que está faltando é o tempo para o físico ficar mais lapidado, pegar mais maturidade muscular e ir ajustando as falhas”, aponta.

Troca de experiências

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A fisiculturista e nutricionista Letícia Mota auxilia Juliana na parte da alimentação e também dá uma ajuda nas poses (Foto: Marcelo Ribeiro)

Em sua trajetória, Juliana conta com uma fonte de inspiração com quem também troca ensinamentos. “Eu sempre gosto de ter como inspiração as pessoas que estão próximas da gente e que conseguimos perceber que é algo alcançável, então eu me baseio muito na Letícia, minha nutricionista, e me inspiro nela. Vejo que ela lutou por muito tempo para chegar onde chegou hoje, então pretendo ter a mesma caminhada que ela e se eu estiver indo no mesmo caminho, está certo”, conta.

Letícia Mota é fisiculturista há três anos pela categoria bikini fitness e, com 27 anos, já se destacou nos campeonatos Brasileiro, Sul-Americano e outras competições internacionais. O contato entre as atletas abriu uma oportunidade para troca de experiências que contribuiu para o crescimento de Juliana. Além das consultas nutricionais, Letícia contribui ainda com o treinamento de poses e a preparação psicológica. “Quando comecei as viagens internacionais, eu sentia a necessidade de ter alguém me mostrando como era e o que eu deveria fazer em certas situações. Eu iniciei no susto, sem muita informação sobre aquilo. Quando vi a Juliana seguindo o mesmo caminho, eu pensei ‘vamos fazer diferente’. Esse apoio é fundamental. Quando tem alguém que te mostra o caminho, você consegue ir com mais segurança e fluidez e foi assim que em todos os palcos que ela subiu, ela mostrou uma desenvoltura incrível”, comenta Letícia.

Durante os campeonatos a dupla mantém contato e conversa sobre alimentação, hidratação, pesagem e detalhes do torneio. Toda semana Juliana envia a Letícia fotografias em jejum para fazer os ajustes da dieta e as duas se encontram no consultório a cada 21 dias. Segundo a nutricionista, não foi preciso muitas adaptações para que Juliana se encaixasse na dieta de atleta. “Quando me procurou, ela já tinha uma alimentação normal e um físico muito adequado para a categoria, então não foi nenhum pouco difícil fazer esse preparo. O que precisava no primeiro momento era uma limpeza na alimentação, retirar refinados, excesso de glúten e lactose porque isso no corpo do atleta causa uma série de inflamações e dificuldade de digestão.”