Evangélico busca união para 2012
Depois de verem sua bancada no Congresso crescer 47% nas últimas eleições, os evangélicos agora querem melhorar o desempenho nas disputas municipais de 2012. A proposta é aumentar a presença nas câmaras de vereadores e, havendo viabilidade eleitoral, apresentar nomes para concorrer às prefeituras. Depois de conseguirem eleger apenas o vereador Carlos Bonifácio (PRB) em 2008 e só recentemente ganharem mais uma cadeira com a posse de Francisco Canalli (PMDB), que entrou na vaga deixada por Bruno Siqueira (PMDB), eleito deputado estadual, os pastores e dirigentes das igrejas consideram ser possível construir uma bancada maior em Juiz de Fora. Para isso, eles concordam que é preciso trabalhar a unidade do segmento e evitar uma dispersão dos votos. Uma iniciativa nesse sentido será apresentada, na próxima quarta-feira, pelo Pastor José Carlos, presidente do Conselho de Pastores (Conpas), aos demais integrantes do órgão. Trata-se do Conselho Político (Conpol), que terá status de departamento dentro do Compas e será responsável pelas questões de natureza política.
Com o Conpol, os pastores esperam centralizar as discussões e estabelecer parâmetros para buscar a união. Vamos conversar com todos e forçar a unidade. Já vimos que se a coisa fragmenta muito, acaba enfraquecendo, explica José Carlos. Pelos cálculos do Conpas, os evangélicos representam hoje cerca de 70 mil eleitores juiz-foranos. Os representantes das igrejas, no entanto, sabem da dificuldade de manter tantos fiéis comprometidos com as candidaturas do segmento. Se conseguirmos manter a unidade de 30 mil votos, teremos uma boa representatividade na Câmara e seremos decisivos no segundo turno da eleição para prefeito, avalia o presidente do Conpas. Único eleito pelos evangélicos em 2008, Carlos Bonifácio, atual presidente da Câmara, concorda que é preciso conter a fragmentação. Se tivermos 40 candidatos, vamos ter uma dispersão de votos em torno desses 40 nomes e podemos não eleger ninguém. Caso tenhamos quatro candidatos, temos chances de eleger os quatro.
A lógica apresentada por Carlos Bonifácio foi usada pela Assembleia de Deus, maior denominação evangélica pentecostal no Brasil, nas eleições de 2010. Na véspera da disputa, o presidente da Convenção Geral das Assembleias de Deus, José Wellington Bezerra, reuniu-se com alguns parlamentares e dirigentes da igreja para escolher pastores e lideranças com potencial eleitoral em todo país. Conseguiram fechar uma lista com 30 nomes, sendo eleitos 22, configurando um sucesso eleitoral de 73,3%. O desempenho contribuiu para colocar a bancada evangélica como a terceira maior do Congresso, com o mesmo número de parlamentares do PSDB, ficando atrás do PT e do PMDB, partidos com o maior número de representantes em Brasília. De acordo com o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), em 2010, foram reeleitos 32 parlamentares da bancada evangélica e eleitos mais de 34 integrantes do segmento. No total, são 63 deputados e três senadores.
Mesmo com determinação para elevar a bancada evangélica na Câmara Municipal, nenhum pastor ou responsável pelas igrejas arrisca fazer uma projeção do espaço a ser ocupado a partir de 2013. Além de Carlos Bonifácio e Canalli, que exercem mandatos, os ex-vereadores Barbosa Júnior e Rose França aparecem também com chances de retornar ao Palácio Barbosa Lima. O segmento ainda tem nomes novos com promessa de viabilidade eleitoral nos bastidores políticos, como a Pastora Graça da Casa da Benção, o Pastor Marquinhos e André Mariano da Igreja Quadrangular. Para disputa majoritária, não foi ventilado ainda o lançamento de nenhuma candidatura evangélica. O Pastor Aloizio Penido, que foi candidato a deputado estadual, tem seu nome cogitado como candidato a vice-prefeito, mas as conversas estão ainda na fase inicial.








