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Investida de tucanos não alcança sindicatos em Juiz de Fora


Por Tribuna

25/01/2012 às 07h00

A proposta dos tucanos mineiros de ter mais filiações de sindicalistas ainda não alcançou Juiz de Fora. As disputas sindicais previstas para este ano no município, envolvendo o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sinserpu) e o Sindicato dos Professores (Sinpro), ficaram de fora das articulações do PSDB. O fato de o partido estar à frente do Executivo, segundo o secretário de Governo Manoel Barbosa, acaba limitando a atuação. "Respeitamos as instituições e não interferimos em nenhum processo. Temos apenas relações institucionais com representantes dos sindicatos." Em Minas, em oposição à Central Única dos Trabalhadores (CUT), que é ligada ao PT, o PSDB ensaia aproximação com a Nova Central Sindical e a Força Sindical. No caso da Zona da Mata, mesmo com o anunciado distanciamento partindo de Juiz de Fora, o presidente regional da CUT, Péricles de Lima, afirma que foi ligado o sinal de alerta em relação às investidas dos tucanos. "Eles (tucanos) podem não começar entrando na disputa de sindicatos maiores, mas vão comendo pelas beiradas, cooptando sindicatos menores."

As movimentações do PSDB a partir de Belo Horizonte, mesmo ainda sem chegar a Juiz de Fora, tem deixado, não só a CUT, mas dirigentes sindicais locais alertas. Candidato da situação na eleição do Sinserpu, Amarildo Romanazzi da Fonseca, tem receio da interferência tucana. Para ele, o fato de outros candidatos estarem vinculados a partidos da base governista no município e no estado pode implicar em algum tipo de beneficiamento. "Vamos ver a estrutura de campanha dos candidatos para saber quem está com quem." A alfinetada tem endereço certo: Vera Lúcia Daniel. A candidata de chapa 2 foi filiada ao PSDB e hoje pertence ao PPS. Ela afirma que tem apoio de seu partido, que é dirigido pelo secretário de Estado da Saúde, Antônio Jorge Marques, mas nega qualquer proximidade com os tucanos. "Tenho apoio do PPS, mas meu partido hoje é o servidor." Péricles Lima, da chapa 3, que tem Sebastião José Duque como presidente, também vê com ressalvas as filiações de alguns integrantes da chapa 2 à base governista. As eleições no Sinserpu acontecem nos próximos dias 9 e 10 de fevereiro.

No segundo semestre, será a vez do Sinpro realizar eleições. Por ora, ainda não há movimentação de nenhum grupo. A pressão da categoria tornou-se, nos últimos anos, em todo o estado sinônimo de dor de cabeça para os governantes. A greve dos professores da rede estadual, no ano passado, teria sido, segundo governistas, a gota d’água para o PSDB ingressar de vez no mundo sindical. Em Belo Horizonte, os tucanos buscam espaço junto ao Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-Ute/MG), ao Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores na Indústria Energética e de Gás Combustível de Minas Gerais (Sindieletro) e ao Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos do Estado de Minas Gerais (Sindágua). Entre outras questões, está em jogo um posicionamento mais brando dessas categorias em relação ao Governo Antonio Anastasia. O projeto do senador Aécio Neves (PSDB) de chegar ao Planalto também está em jogo. Foi durante sua gestão, em 2010, que Minas celebrou convênio de R$ 2,9 milhões com a a Força Sindical.