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Natação paralímpica tem grandes promessas para 2019

Equipe do Bom Pastor passa de três para 18 integrantes e começa o ano com chances de bons resultados e de emplacar atletas na Seleção Brasileira


Por Fabiane Almeida* Estagiária sob supervisão de Carla da Hora

31/12/2018 às 10h20- Atualizada 02/01/2019 às 15h33

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Objetivos da equipe de natação paralímpica do Bom Pastor são colocar dois revezamentos na regional e ficar entre os três melhores clubes nas regionais, além de tentar obter cinco índices nacionais com cinco atletas diferentes (Foto: Marcelo Ribeiro)

Depois de um ano de muitas conquistas, a equipe paralímpica do Clube Bom Pastor encerrou o ano com 18 atletas e grandes promessas para 2019. Fundado este ano, o projeto começou com apenas três atletas e atraiu nadadores após acumular boas colocações em campeonatos regionais a internacionais e agora tem boas chances de emplacar atletas na Seleção Brasileira. Este é o caso de Gabriel Araújo (S3), número 1 no ranking brasileiro nos 50m borboleta, Manuela Alves (S10), que teve a segunda colocação nos 400m livres e 100m borboleta, e Gabriel Schumann (S8, SM8 e SB7), que terminou o ano como quarto colocado nos 100m peito no ranking do Comitê Paralímpico Brasileiro.

Para o treinador Fábio Antunes, a chegada de tantos atletas foi uma consequência da visibilidade dos bons resultados. “Participamos de competições importantes no cenário paralímpico, como o regional, duas etapas da fase nacional e o Brasileiro, além do Open Internacional em São Paulo, onde participam atletas com índice técnico acima de 70%. Disputamos com dois atletas que medalharam e esse ano outra atleta conseguiu o índice, então ano que vem participaremos com três atletas na disputa internacional”, conta o técnico.

Segundo o treinador, o ranking, que calcula os tempos dos atletas ao longo do ano, poderá trazer convocações para a Seleção Brasileira de Jovens e oportunidade de pleitear bolsa atleta. “Os três têm chance de serem convocados, mas ainda não é certo. Quando chega próximo a competições internacionais, como os Jogos Parapan-Americanos de 2019 que acontecerão em Lima, no Peru, o Comitê Paralímpico analisa o cenário mundial e vê quais os atletas que terão chance de medalhar e criam critérios para chamá-los”, explica Fábio.

Ele destaca que outros objetivos para 2019 são colocar dois revezamentos na regional e ficar entre os três melhores clubes nas regionais, além de tentar obter cinco índices nacionais com cinco atletas diferentes. “Também queremos nadar o Open Internacional de São Paulo e Berlim, estamos tentando viabilizar recursos para participar. Vamos disputar ainda o Circuito Loterias Caixa na etapa regional, duas fases nacionais e o Campeonato Brasileiro Paralímpico”, planeja.

 

Treino e dedicação

Para Schumann, 19 anos, as colocações são resultado de muito treino e dedicação. “Pra mim, que treino desde 2002, foi um trabalho de todos esses anos treinando, malhando, fazendo fisioterapia, com o acompanhamento de um profissional para cuidar da alimentação e um coach para trabalhar o psicológico, porque na competição é a mente que controla tudo.” Apesar da qualificação nos 100m peito, os 50m livres são a aposta do atleta para o próximo ano. “Não vai ser fácil, mas eu aceito fazer o desafio que a gente propôs: quebrar o recorde brasileiro de jogos nos 50m livres”, avisa.

Tendo conquistado o índice para disputar pela primeira vez o Open em São Paulo no próximo ano, Manuela, 15, está um passo mais perto de seus objetivos e já realiza parte do sonho de representar o Brasil em competições internacionais. “Eu fiquei muito feliz (com o ranking), porque vi que tudo que eu treinei levou a um resultado muito bom, e os treinos são muito puxados. Meu objetivo é entrar na Seleção Brasileira de Jovens, que é a base para competições internacionais, que é o que eu quero”, conta.

Natação adaptada e técnica

Segundo Fábio Antunes, muitos atletas que integram a equipe começaram a nadar pela deficiência, mas não recebiam treinamento adequado para adquirir a técnica. “Eles usavam a água para otimizar o corpo, mas 90% dos atletas não nadavam com técnica e desenvoltura, apenas se deslocavam na água. Então cada atleta que chega é como começar um novo trabalho”, comenta. A cada novo integrante, o treino é adaptado à sua deficiência e tanto atletas como treinadores aprendem a lidar com as limitações.

“Cada vez vai repetindo o que ficou bom, melhorando, e os detalhes que não eram cobrados começam a ser cobrados”, explica a treinadora Luila Vianna, responsável pelo treinamento da base e a adaptação. “Tudo é uma progressão, e com isso o atleta ganha técnica e condicionamento em um trabalho gradativo. E é tudo adaptado, pegamos a técnica do convencional respeitando as limitações.”

Com tantos atletas, a equipe reúne perfis diversos. Jean Costa (S6 não-oficial), 23, é cadeirante e já possui experiência em outras modalidades. A convocação para treinar no clube veio através do próprio Fábio, que já havia sido seu guia em competições de corridas. Apaixonado pela natação, Jean pretende investir na carreira de atleta e encontrou no clube uma oportunidade de crescer no esporte. “Nasci com uma deficiência na coluna e nunca andei. Já fiz vários esportes, bocha, corrida de rua e agora quero seguir na natação. Aqui eles dão seguimento ao treino, enquanto em outros lugares eles começam e param.”

A opinião é compartilhada por outros atletas: “É difícil encontrar outros projetos com tanto apoio quanto esse, que vêem o potencial que o atleta tem e ficam em cima, arranca nosso coro”, brinca Luciano Jorge (S5 não-oficial), 38, que sente a cobrança como um estímulo para se desenvolver como atleta. “Sofri um acidente de carro há 16 anos e fiquei tetraplégico, não mexia do pescoço para baixo. Comecei a nadar depois de ler uma matéria sobre o clube, e vi que tinha possibilidade para cadeirante. Faz cerca de sete meses que estou aqui, melhorei o respiratório e físico pela natação integrada com a fisioterapia. Agora quero cair na água e bater muito recorde, baixar os tempos sempre.”

 

Jovens atletas de futuro

“Desde pequena eu já tinha o sonho de me tornar uma atleta e, mesmo com deficiência, isso não me impediu de realizar esse sonho”, diz Vithoria Nascimento (S5 não-ofical), 13, que tem como ídolo o recordista mundial Daniel Dias e já treina para seguir seus passos. A juiz-forana começou a praticar o esporte aos três anos de idade para desenvolver o corpo e se acostumar à água. “Esse ano fui convidada para vir para o clube e pratico para melhorar o desvio nas costas. É uma coisa que eu amo fazer desde pequena”, conta. Ano que vem, Vithoria pretende ingressar nos campeonatos paralímpicas, quando terá 14 anos, atingindo a idade mínima para participar.

Segundo Fábio, a atleta possui a marca de 1min14s nos 50m costa, tendo um segundo abaixo do índice necessário para competir. A oficialização da marca deve vir na competição regional em Uberlândia, que acontece entre os dias 29 e 31 de março. Aos nove anos, Halfredo Muniz (S6 não-oficial) deverá seguir pelo mesmo caminho. Por ser muito jovem, o menino ainda está a alguns anos dos campeonatos oficiais, mas já investe no futuro de atleta. Em 2019, Halfredo deverá participar de competições convencionais para adquirir experiência. Apaixonado pela prova de 50m livres, desde novo ele reconhece os benefícios do esporte. “É mais divertido que as outras atividades, na natação você aprende mais e desenvolve seu corpo mais rápido”, comenta.

*Estagiária sob supervisão de Carla da Hora