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Disputa restrita a cidades-polo


Por RICARDO MIRANDA

18/03/2012 Ă s 06h00

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A investida tucana anunciada pelo senador Aécio Neves (PSDB) sobre 13 municípios comandados pelo PT e o contra-ataque feito pelo deputado federal e presidente do PT de Minas, Reginaldo Lopes, ameaçando tomar 45 prefeituras do PSDB e de seus aliados, devem ter como foco apenas cidades-polo do estado. Nesse contexto, Juiz de Fora, Uberlândia, Montes Claros, Governador Valadares, Ipatinga e Poços de Caldas, além de Contagem, Betim e Ribeirão das Neves na região metropolitana, são uma espécie de cerejas do bolo. Nos demais municípios, com médio e pequeno portes, a ordem tanto de Brasília quanto de Belo Horizonte é para evitar interferência na dinâmica local. Sucesso do voto "Dilmasia" nas pequenas cidades mineiras, com o eleitor elegendo a presidente Dilma Rousseff (PT) e o governador Antonio Anastasia (PSDB), eleva o risco de qualquer tentativa de polarização. "Em muitos desses municípios, haverá até alianças entre PT e PSDB por conta da lógica política local", explica o professor de política da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) Paulo Roberto Figueira Leal.

Levantamento feito pela Tribuna, considerando os 64 municípios das microrregiões de Juiz de Fora, Cataguases e Ubá, mostra que, nas eleições de 2010, apenas em dois casos, foi mantida a polarização entre PT e PSDB. Em Descoberto, prevaleceu a lógica tucana, com José Serra, Anastasia e Aécio sendo os mais votados para presidente, governador e senador, respectivamente. O oposto ocorreu em Guiricema, onde receberam mais votos para os mesmos cargos Dilma, Hélio Costa (PMDB) e Fernando Pimentel (PT). No mais, reinou quase em absoluto o voto em Dilma, Anastasia e Aécio. Em relação à disputa deste ano, ficou evidenciada a lógica local, com alianças costuradas sem nenhum apego a ideologias partidárias. Em alguns casos, entretanto, PT e PSDB vão se enfrentar, mas quase por coincidência, como deve acontecer em Recreio.

Nas cidades-polo, segundo Paulo Roberto, a história é outra. E, neste ano, será mais diferente ainda. "O fato de Aécio ser o candidato em potencial do PSDB, para enfrentar o PT em 2014, dá às eleições municipais em Minas um caráter estratégico para o PSDB. Nesse contexto, é esperado o foco muito grande em municípios como Juiz de Fora." Da mesma forma, continua o professor, para o PT, uma vitória em Juiz de Fora sobre os tucanos seria como "derrotar o adversário em seu campo de batalha". Na sua avaliação, o PMDB, que abdicou de um projeto de poder em nível nacional, dificilmente vai colocar sua cúpula em divididas regionais.

 

Indefinição da cúpula do PMDB 

A aposta do PT e de setores do PMDB local quanto a uma possível ação da cúpula nacional peemedebista, mais precisamente do vice-presidente da República, Michel Temer, que pudesse aproximar os dois partidos ainda no primeiro turno, perde força com a proximidade do período de definições. As conversas ainda continuam com os petistas até por força da tradição do PMDB de decidir apenas no limite. Ao deputado Júlio Delgado (PSB), que é pré-candidato à Prefeitura de Juiz de Fora e também corteja os peemedebistas, já foi avisado que prevalecerá o entendimento local. Até por isso, o herdeiro do ex-prefeito Tarcísio Delgado (PMDB) iniciou uma peregrinação junto à velha guarda do PMDB de Juiz de Fora.

Se o afastamento da cúpula nacional apazigua os ânimos dos defensores da candidatura do deputado estadual Bruno Siqueira (PMDB), ao mesmo tempo, minimiza qualquer ação da direção estadual peemedebista, que é favorável ao nome do deputado. Com isso, todo o imbróglio envolvendo o PMDB de Juiz de Fora – se lança Bruno ou se apoia Júlio ou a pré-candidata do PT, Margarida Salomão – será definido na instância partidária local. As chances de as três possibilidades serem submetidas à comissão executiva do partido existe, mas é considerada solução extrema. A aposta no convencimento e, principalmente, na força das pesquisas de opinião pública ainda persiste. A favor do voo solo do PMDB com Bruno estão os vereadores Francisco Canalli, José Sóter de Figueirôa Neto e Júlio Gasparette, além de todos pré-candidatos à Câmara Municipal.