Gravação obrigatória de eventos

Proposta é do vereador Noraldino Júnior
Os vereadores de Juiz de Fora aprovaram, na manhã de ontem, o projeto de autoria do vereador Noraldino Júnior (PSC) que obriga os estabelecimentos destinados à realização de eventos musicais no município a contarem com dispositivos de filmagem e gravação. O propósito da medida, segundo o autor, é aumentar a segurança nos estabelecimentos. As imagens captadas devem ficar disponíveis a solicitações da polícia ou da Justiça por um período de seis meses, estando o local sujeito à interdição e à multa de R$ 2.500 por descumprimento. O projeto segue para sanção do Executivo, a quem também caberá regulamentar a norma.
Entre o empresariado do setor ouvido pela Tribuna, o principal receio é em relação ao custo para implantação de um sistema de filmagem noturno e ao armazenamento. Quanto aos benefícios, donos de casas de shows e promotores de evento consideraram a proposta como positiva e necessária.
Wesley Carvalho, do Cultural Bar, disse que a medida é um mal necessário. Segundo ele, desde quando o espaço adotou o monitoramento por meio de dispositivos de filmagem, "muitos problemas" foram sanados de forma rápida e sem custos. "Isso nos livrou de muita coisa complicada. Várias confusões foram interrompidas." Entendimento semelhante tem o proprietário do Bar da Fábrica, Waney Rocha. Para ele, o simples fato de as pessoas saberem que estão sendo filmadas ajuda na segurança. "O cidadão que sair de casa com o objetivo de causar confusão não vai procurar um lugar que tem esse tipo de monitoramento." No Bar da Fábrica, do rol de entrada ao espaço para apresentação de músicos, tudo é filmado.
Dispositivos de filmagem também existem no Privilège e na W Ultra Lounge. No caso do primeiro estabelecimento, o assessor de imprensa, Guilherme Schröder, informou que o monitoramento por câmeras foi adotado por medida de segurança. A direção da casa vai aguardar a regulamentação da norma para se adequar no que diz respeito à disponibilização do material. No caso da W Ultra Lounge, o uso de filmagens é mais recente. De acordo com o gerente de marketing, Daniel Neto, a medida aumentou o controle no espaço e inibiu clientes problemáticos. "Pessoas com o propósito de comercializar drogas durante os shows sabem que estão sendo filmadas e deixam de frequentar esses ambientes." Ainda conforme ele, o efeito preventivo é outro ponto positivo. "O sujeito começa a pensar antes de causar problema."
Todos os proprietários ouvidos pela Tribuna concordaram, no entanto, que o custo e a manutenção do monitoramento por câmeras é alto. Para Maurício Lemos, do Muzik, os vereadores esqueceram de pensar no ônus do projeto. "Usam sempre a criatividade para criar custos, nunca para desonerar a classe empresarial." Ele questionou principalmente a questão do armazenamento do material filmado. Com quatros shows semanais, Maurício calculou algo perto de 800 horas de gravação no período estabelecido pelo projeto. "Vou criar um museu de imagem do som", questionou, com ironia. Waney Rocha, por sua vez, disse que não se deve ver a medida como custo. "Na verdade nem considero como custo, mas como investimento. Com as câmeras, nunca mais tive problema de falta de pagamento ou roubo."
Prevenção
Para Noraldino, a medida tem como objetivo a prevenção da violência, mas também a contribuição para a elucidação de ocorrências dentro dessas festas, incluindo até a localização de pessoas desaparecidas e a compreensão da razões de desabamentos ou incêndios. Embora atinja todos os tipo de eventos, inclusive em casas noturnas e shows, a proposta visa a atingir principalmente os bailes funk, em função das denúncias de brigas de galera nos locais. O vereador agora trabalha para aprovar outro projeto que limita a duração de festas na cidade a, no máximo, dez horas, com exceção dos eventos já previstos no calendário do município e das festas particulares sem cobrança de ingressos. Também é de sua autoria a proposta que proíbe a realização de festas com bebidas liberadas, seja em casas de espetáculos, casas noturnas, clubes esportivos, grêmios recreativos, escolas de samba ou sítios e granjas.








