Nova fase da Lava Jato tem pedido de prisão cumprido em JF
Segundo informações apuradas pela Tribuna, um dos alvos foi capturado durante a manobra
Um braço do esquema de corrupção que resultou na prisão do atual governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, , no âmbito da Lava Jato, está sendo investigado em Juiz de Fora. A Polícia Federal esteve nas ruas da cidade, nesta quinta-feira (29), para cumprir dois mandados de prisão expedidos contra Cláudio Fernandes Vidal e Luiz Alberto Gomes Gonçalves na Operação Boca de Lobo. Segundo informações apuradas pela Tribuna, Cláudio teria sido preso, dado não confirmado pela assessoria de comunicação da PF em Brasília. A reportagem também fez contato com a Superintendência da Polícia Federal do Rio de Janeiro, responsável pela operação, mas as ligações e os e-mails não foram respondidos. Até por volta das 19h, Luiz Alberto não havia sido encontrado. Além da busca pelos dois alvos da manobra, também foram cumpridos três mandados de busca e apreensão na cidade. Nenhum detalhe sobre localização de documentos e outras provas, no entanto, foi repassado à imprensa.
Cláudio Fernandes Vidal e Luiz Alberto Gomes Gonçalves são sócios da JRO Pavimentação Ltda, empresa com sede em Piraí (RJ), cidade natal de Pezão, que executou várias obras públicas em Juiz de Fora. Na internet, consta ainda um endereço da JRO na Avenida Deusdedit Salgado, mas no local estão sediadas uma mineradora e uma empresa de terraplanagem que, a princípio, não têm nenhuma ligação com a JRO.
Um dos contratos assinados pela Prefeitura de Juiz de Fora com a JRO é de 2009, quando a empreiteira foi contratada para execução de obras complementares na Avenida Deusdedit Salgado. O conjunto de intervenções incluiu a construção de uma galeria de drenagem pluvial com extensão de 1,1 mil metros, a pavimentação de toda a pista antiga e a urbanização e paisagismo nos 3,2 quilômetros da via. O investimento nos projetos, à época, foi de R$ 8,7 milhões. Antes disso, em 1989, durante a administração de Alberto Bejani, Cláudio Vidal foi presidente do Conselho de Administração da Empresa Municipal de Pavimentação e Urbanização (Empav).
Em agosto deste ano, o nome dele e de Luiz Alberto Gonçalves, o Beto, que tem participação societária em sete empresas de Minas e do Rio de Janeiro, foi associado ao de Pezão. Em trecho de delação premiada, os sócios foram acusados de terem pago propina a Pezão de 2007 até o fim do governo Cabral, quando Pezão era secretário de Obras. Eles também atuariam como “banco” do político, guardando parte do dinheiro ilegal. Atualmente, os empresários têm registro de endereço em Juiz de Fora. A Tribuna conseguiu falar na casa de Cláudio Vidal, na Zona Sul da cidade, mas a informação é de que ele estaria “viajando”.
Esquema criminoso
A operação deflagrada na manhã desta quinta (29) pela Polícia Federal dentro do Palácio das Laranjeiras, sede do governo fluminense, dá início a uma nova fase da Laja Jato. O mandado foi expedido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob a relatoria do ministro Félix Fischer. O pedido de prisão foi feito pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge. De acordo com as investigações, “o governador integra o núcleo político de uma organização criminosa que, ao longo dos últimos anos, cometeu vários crimes contra a administração Pública, com destaque para a corrupção e lavagem de dinheiro”.
Pezão teria recebido mais de R$ 25 milhões entre 2007 e 2015, segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR). O valor corrigido pela inflação passa de R$ 39 milhões e seria incompatível com o patrimônio declarado pelo governador à Receita. A PGR pediu o sequestro de R$ 39 milhões de bens de Pezão. Ao solicitar a prisão do governador, a procuradora-geral mencionou que Pezão foi secretário de Obras e vice-governador de Cabral entre 2007 e 2014, “período em que já foram comprovadas práticas criminosas”. Dodge, porém, aponta que haveria uma nova descoberta: Pezão teria operado um “esquema de corrupção próprio, com seus próprios operadores financeiros”.
Além de suceder Cabral na liderança do esquema criminoso, “Pezão deu suporte político aos demais membros da organização que estão abaixo dele na estrutura do poder público e, para tanto, recebeu valores vultosos, desviados dos cofres públicos e que foram objeto de posterior lavagem”, disse Dodge no pedido ao STJ. As investigações se baseiam em delação do economista Carlos Emanuel Carvalho Miranda, ex-operador financeiro do ex-governador, homologada no ano passado.
Empresa foi fornecedora da PJF em contratos
Envolvida no escândalo de distribuição de propina e lavagem de dinheiro no Governo do Rio, a JRO Pavimentação foi fornecedora da Prefeitura de Juiz de Fora em obras nos últimos anos. A empresa foi fundada em 1997 em Juiz de Fora, sendo transferida para Piraí, no Sul fluminense, em 2005. No cadastro de empresas da Receita Federal consta uma filial registrada em Matias Barbosa.
Dentre os contratos com o poder executivo municipal, em 2005 a empreiteira foi responsável pela construção do prolongamento da Avenida Ibitiguaia, nos bairros Ipiranga e Teixeiras, e do Acesso Sul – que visa a ligação entre o setor Sul e as proximidades do Parque da Lajinha por vias marginais ao Córrego Teixeira. A empresa assumiu as obras após inúmeros problemas com as empreiteiras vencedoras da licitação.
Condenação
Cláudio Vidal tem uma condenação em processo de ressarcimento de danos causados à Empav durante sua gestão. Em 2013, a determinação era de que a cobrança do valor de R$ 72.572,19 deveria ser devidamente atualizada e acrescida de juros de mora no percentual de 0,5% ao ano a contar da data do ilícito, bem como de 1% ao ano a partir da vigência do Novo Código Civil até o efetivo pagamento.











