Rodrigo Pacheco vai disputar o Senado

Ainda nas articulações políticas para as eleições, Dilma veta coligação com MDB em Minas

Por Paulo Cesar Magella

Um dia após ter sido lançado candidato ao Governo de Minas pelo DEM, o deputado Rodrigo Pacheco saiu do páreo, mas vai disputar uma vaga no Senado na chapa do candidato tucano Antônio Anastasia. O anúncio ocorreu na tarde desta segunda-feira, após uma série de entendimentos que contaram com a participação, inclusive, do deputado Rodrigo Maia – presidente da Câmara Federal – e do presidenciável tucano Geraldo Alckmin. O palanque tucano ganha um reforço e tanto, enquanto o PT ainda avalia a possibilidade de ter a deputada Jô Morais como candidata a vice na chapa do governador Fernando Pimentel.

Jô negocia

As negociações estão em curso, mas o martelo ainda não foi batido, pois há a expectativa de o MDB voltar para a coligação. Por enquanto, o partido de Adalclever Lopes mantém a aposta na candidatura de Márcio Lacerda, do PSB, que deve ser discutida nos tribunais. O problema emedebista está na ex-presidente Dilma Rousseff. Ela até aceita a participação dos deputados estaduais do MDB, mas vetou literalmente os federais, pois foram eles que participaram da votação que culminou no seu impeachment.

Mudança no jogo

O candidato do PSDB à presidência, Geraldo Alckmin, desembarca por volta de 18h30 em Belo Horizonte para selar o acordo com o DEM pelo qual o deputado Rodrigo Pacheco, referendado em convenção na semana passada, abre mão da disputa ao Governo e deve disputar uma vaga no Senado na chapa do tucano Antônio Anastasia. O acordo foi fechado entre Alckmin e o deputado  Rodrigo Maia, presidente da Câmara, que também está em BH.

Sem referência

As convenções já aconteceram, mas o debate político em Minas continua forte, uma vez que não há definições. O PSB nacional está discutindo a formação de sua chapa de deputados, já que trabalha sem a candidatura de Márcio Lacerda a governador. O deputado Júlio Delgado garantiu que não haverá nem coligação com o PROS e nem com o MDB, como foi formalizado na madrugada desta segunda-feira, quando ficou acertado que o emedebista Adalclever Lopes será o vice de Márcio Lacerda e o deputado Jaime Martins (PROS) disputará o Senado. Ele acentuou, no entanto, que está sendo buscada uma nova composição. “Com esses dois, não”.

Pacheco em risco

Por outro lado, a assessoria do deputado Rodrigo Pacheco, candidato ao governo referendado pelo DEM no último sábado, não confirma, mas também não desmente, a visita do deputado Rodrigo Maia – presidente da Câmara Federal – para desmobilizar a candidatura em favor de um acordo com o PSDB. Como as chapas majoritárias podem ser registradas até o dia 15, a semana inteira será consumida em negociações.

Veto de Dilma

Até o dia 15 ainda haverá muita movimentação no mundo político, pois é quando termina o prazo para registro das candidaturas majoritárias. As últimas horas foram tensas com acordos sendo feitos e desfeitos no decorrer de horas. O MDB chegou a formalizar a coligação com o PT, mas esbarrou no veto da ex-presidente Dilma Rousseff. Candidata ao Senado, ela disse que não gostaria de ter no mesmo palanque os parlamentares que endossaram a sua cassação. Resultado, o governador Fernando Pimentel perdeu um importante tempo de TV. A decisão da ex-presidente chegou a causar constrangimentos dentro do universo petista, mas a disciplina partidária falou mais alto.

Bruno estadual

Nesse cenário de idas e vindas, o ex-prefeito Bruno Siqueira optou por registrar sua candidatura a deputado estadual. O MDB, no acordo com o PSB de Márcio Lacerda, indicou o presidente da Assembleia, Adalclever Lopes, como candidato a vice, ficando uma das vagas para o Senado com o representante do PROS, Jaime Martins. Numa reunião na manhã de hoje, o PSB voltou a receber garantias de juristas de que sua convenção foi validada, sobretudo pelo fato de o grupo do deputado Júlio Delgado – representando a direção nacional – não ter feito nenhum evento paralelo. Como resultado, ou todo mundo é confirmado ou todos estarão impedidos de disputar.

Confusão política

O MDB que pensava no PT fechou com o PSB, mas pode voltar para o PT ou até mesmo ficar sozinho. O PSB que tinha candidatura própria foi autorizado a lançar Márcio Lacerda a governador, por decisão do TER, mas pode ser barrado pelo TSE. Minas vive uma situação singular. O prazo das convenções terminou neste domingo, mas somente no dia 15, quando será feito o registro das chapas, é que será possível definir quem está com quem.

Nada definido

O último dia foi marcado por convenções, mas permanecem as indefinições, deixando até mesmo os pré-candidatos atordoados. O deputado Isauro Calais (MDB) deixou Belo Horizonte sem saber com quem, de fato, será feita a coligação, ou se haverá aliança com algum outro partido. A Executiva do MDB lançou o deputado Adalclever Lopes como vice de Márcio Lacerda, mas se o impasse jurídico prevalecer, ele volta a disputar para deputado estadual. “Estão brincando com o eleitor”, lamentou.

Conversando

O ex-prefeito Bruno Siqueira passa manhã reunido com seu grupo político para também tenta entender o que está ocorrendo. Na noite de domingo, estava certa a coligação com o PT, horas depois, o entendimento foi o PSB, e nessa lista seu nome não estava entre os cotados para o Senado. Deve bater o martelo para deputado estadual e sair do meio desse furacão.

Paulo Cesar Magella

Paulo Cesar Magella

Sou da primeira geração da Tribuna, onde ingressei em 1981 - ano de fundação do jornal -, já tendo exercido as funções de editor de política, editor de economia, secretário de redação e, desde 1995, editor geral. Além de jornalista, sou bacharel em Direito e Filosofia. Também sou radialista. Meus hobbies são leitura, gastronomia - não como frango, pasmem - esportes (Flamengo até morrer), encontro com amigos, de preferência nos botequins.E-mail: [email protected] [email protected]

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