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Músicos do amanhã


Por JÚLIA PESSÔA

13/01/2013 às 07h00

Eles vêm de comunidades pacificadas do Rio de Janeiro e abriram a Oficina de Música Cinves de 2013, apenas um ano depois de terem o grupo formado durante o mesmo festival. "O Cinves tem uma responsabilidade muito grande pelo que a Academia Juvenil se tornou, pois foi na atmosfera de aperfeiçoamento e intercâmbio musical do festival que ela surgiu, e estas são algumas das características que a destacam em relação a outros projetos", conta o regente dos jovens músicos entre 12 e 20 anos, Felipe Prazeres.

A apresentação que abriu a oficina musical em Juiz de Fora na sexta-feira foi a estreia do grupo longe do solo carioca e representa um marco importante na consolidação do projeto. "É incrível o avanço musical que todos tiveram em um ano, e voltar ao Cinves marca esta evolução. Eles se apresentaram para um público que não os conhece, na abertura de um festival, com uma grande responsabilidade", avalia o maestro. "Além disso, o evento é uma oportunidade para que eles estejam completamente imersos na música, conhecendo professores de lugares diferentes e aprendendo com eles. É uma chance também de ver gente da idade deles se interessando pela música, o que dá uma grande sensação de pertencimento", conta Felipe, que passou a adolescência frequentando eventos como o Cinves pelo país afora.

Para o regente, o sucesso tanto da apresentação de sexta quanto do próprio projeto está em uma receita simples. "Somos um projeto feito inteiramente por músicos, dos professores à coordenação, e priorizamos a formação musical destes jovens, dando base teórica para que eles possam ingressar em uma universidade da área. Nosso foco vai além da questão social e prioriza a educação dos jovens pela música."

A grande maioria dos integrantes vem de programas sociais das comunidades onde moram, como o Afroreggae – que atua majoritariamente em Vigário Geral, Morro do Cantagalo, Parada de Lucas e Complexo do Alemão, mas possui projetos em todo o país -, a Orquestra de Nova Iguaçu, a Orquestra de Cordas da Grota – da favela da Grota do Surucucu -, a Orquestra de Câmara da Ilha do Governador e o Projeto Aprendiz – que possui iniciativas em diversos pontos do Rio. "Pegamos os melhores alunos de cada projeto, e eles são submetidos a testes práticos e teóricos semestralmente, quando sua continuidade na academia é avaliada. Fazemos questão de visitar os projetos sociais de origem destes alunos, conhecer a realidade em que eles começaram a fazer música, acompanhar mesmo. Assim, todo conhecimento que eles obtêm na academia ajuda a tornar estas iniciativas locais ainda melhores", pondera o maestro.

 

 

‘Talento não falta’

Segundo Felipe Prazeres, o vínculo com a Orquestra Sinfônica da Petrobras dá aos jovens instrumentistas a melhor infraestrutura possível no que diz respeito a espaços de ensaio e apresentação, instrumentos e acesso livre a importantes concertos nacionais e internacionais. "Trabalhamos para ajudar a definir o cenário da música clássica nacional nos próximos anos. Talento não falta."

Um dos nomes que certamente terá destaque neste cenário a que o regente se refere é o do violoncelista Miguel Braga, que aprendeu os primeiros acordes no Projeto Aprendiz, na Tijuca. "Eu tinha 6 anos e fazia aula de iniciação musical. Quando um professor me apresentou o violoncelo, me interessei, comecei a fazer aulas e nunca mais parei." O entrosamento com o instrumento foi tanto que, com apenas 13 anos, Miguel foi um dos solistas da apresentação de abertura do Cinves, ao lado de seu maestro e de outros músicos. "Me sinto honrado, e a sintonia que precisamos ter durante as apresentações só melhora meu desempenho."

Demonstrando sua inclinação pelos clássicos mesmo quando o assunto é rock’n’roll, Miguel é fã de Beatles. Do futuro, essa coisa tão distante quando se tem 13 anos de idade, tem apenas uma certeza. "Não consigo ver onde e como estarei daqui a dez ou 20 anos, mas sei que estarei tocando como músico profissional."

O violinista Gustavo Meneses e o pianista Geir Braaten, da Noruega, que já participou como recitalista e solista de diversas orquestras sinfônicas, apresentam hoje, às 20h30, composições de Mozart e Beethoven, na Sociedade Filarmônica de Juiz de Fora (Rua Oscar Vidal 134).